5 filmes para assistir nesse dia em que o amor venceu! ♥


O céu de todo o planeta, mesmo com tanta chuva que cai aqui em Salvador, ficou muito colorido nesta sexta-feira. E sabe porquê? Tenho certeza que sim, mas eu vou repetir: O AMOR VENCEU! Pelo menos, nos EUA. Como muitos de vocês já sabem, a Suprema Corte dos Estados Unidos  aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma grande vitória em um mundo tão cheio de rótulos e preconceitos. Que seja assim por aqui também ou que, no mínimo, as pessoas aprendam que ser feliz e espalhar o amor é muito mais importante que disseminar intolerância. 

E nesse dia tão especial, o post é todo voltado ao amor. Trouxe 5 filmes lindos que exalam o sentimento que ultrapassa as barreiras dos gêneros, afinal de contas, #LoveWins ♥

♥ Diário de Uma Paixão


♥ Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho


♥ Pronta Para Amar


 ♥ A Delicadeza do Amor


♥ O Lado Bom da Vida



Mais amor, por favor! :)

Nas entrelinhas: Procuro um amor (...)

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Procuro um amor que saiba cozinhar. Mas que não precisa ser nada muito chique, gourmet. Uma batata frita com casca, uma pizza de mentirinha e um raviole qualquer já me ganham. Pode saber pedir de um restaurante bacana, também, é claro. Mas que faça com carinho.

Se souber fazer jujubas ou me presentear com elas, ganha vantagem.

Meu amor tem que ter paladar. E boas palavras também. Tem que saber me lamber e me morder. E tem que gostar de beijo – em qualquer lugar, em qualquer hora. Nunca é demais para um beijo, beijinho ou tudo mais. Mas tem que gostar de beijar.

Afinal, beijo continua sendo a segunda melhor coisa que a gente faz com a boca. A primeira melhor, bem, deixa pra lá.

Procuro um amor que leia. Não todos os livros. Ou livro nenhum. Mas que saiba me ler. Saiba entender o grito silencioso das minhas pernas e as páginas da minha testa franzida. Amor tem que conhecer e reconhecer o outro. Nada mais chato do que ter que ficar contando as suas histórias e segredos pra alguém.

Procuro um amor que não minta. Mas que também não me conte todas as verdades. Principalmente as que eu perguntar. Desconverse. Me faça cócegas. Sei lá. Mas não minta.

Palavras têm peso dois nas minhas histórias. Promessas, também – das mais simples às mais complicadas.

Procuro um amor que me encontre a hora que for. E que pode se atrasar também. Que saiba se arrumar, mas que também dispense essas coisas de vaidagem. Que roube minhas blusas, meus chinelos e shorts antigos.

Procuro um amor que eu tenha orgulho de estar ao lado – e que saiba a importância de dar às mãos. Não precisa ter muito dinheiro. Mas que tenha bons planos de carreira. Amor vabagundo demais, cansa. Amor trabalhoso demais, some.

Procuro um amor meio-termo. Que xingue coisas engraçadas, que me mande tomar-no-cu sorrindo, mas que me faça declarações, também. Que tenha pudor para saber bem a hora de não tê-lo. Procuro um amor que saiba que flores e tapas têm suas horas.

Procuro um amor multifacetado. Desses que me lembram alguém, mas não sei quem é, nem sei de onde. Mas que me dê a velha sensação de que tudo será eterno desta vez.

Sobre o autor: Hugo Rodrigues, capricorniano esquecido. Autor do romance “Um Sorriso de Oito Graus na Escala Richter” e, atualmente, produzindo mais dois livros: “Mulheres, Malditas Maravilhas”, (dez/2013) e “Na Décima Nuvem” (jul/2014). Para os próximos anos, surgirão os impressos “Ramon” (2015) e “Rascunhos Nus” (2016), um apanhado de contos, poemas e frases. O carioca é colaborador dos sites Entenda Os Homens, Casal Sem Vergonha e Isabela Freitas. Além disso, é colunista da revista O Flu, do jornal O Fluminense, do Rio. http://hrodrigues.com

Nas entrelinhas: É só saudade


Sabe… Às vezes dói lá no fundo. Em uma parte do meu coração que eu insisto em esconder para todo o mundo que existe. Hoje foi mais um daqueles dias. Aconteceu. Sonhei com você. Sonhei que tínhamos voltado a nos falar, só isso. Não éramos namorados, amantes ou sequer nos amávamos  Mas nós éramos amigos, como sempre fomos antes de tudo dar errado. Será que você também sente falta? Eu sinto. Sinto falta das coisas simples, do seu sorriso, do seu cheirinho e do seu jeito bobo de dizer que me amava mesmo quando eu não queria saber o que era amor. O problema foi que eu descobri o que era amar tarde demais.
Descobri que te amava quando te perdi. Parece clichê, mas foi. Nós fomos um filme americano – daqueles bem clichês – que eu não me cansaria de assistir. Exceto pela parte em que não tivemos final feliz. Não tivemos final algum. Não sentamos em uma mesa e decidimos que seria melhor assim. Não houve lágrimas, apelos e nem confissões de última hora. Nós apenas nos afastamos, como quem não aguenta mais sofrer e amar ao mesmo tempo. Nos afastamos achando que um dia a vida nos colocaria juntos de novo. Mas sabe qual o nosso problema? Somos exatamente iguais. Você talvez um pouco mais sentimental. Eu talvez um pouco menos vingativa. Mas no fim do dia, os dois acham que merecem um pedido de desculpas. E eu não tenho o costume de pedir desculpas a ninguém. Me arrepender, só do que não fiz.

Então eu te deixei livre. Te deixei partir. Desejei um infinito de coisas boas que não desejo nem para mim. Baixinho, pedi para que você fosse muito feliz. Torci para que você encontrasse uma garota que soubesse valorizar tudo aquilo que eu não valorizei. Não tenho rancor, ódio ou qualquer outro sentimento ruim. De você restou apenas saudade. Uma saudade boa. Às vezes forte demais. Às vezes esquecida. Confesso que hoje estou sentimental além da conta. Mas me perdoa vai, é que eu acordei com saudade.

Eu não espero que você um dia me perdoe, até porque eu nunca te perdoei. Mas eu sei, que lá no fundo, você também sente a mesma saudade.

Sobre a autora: Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua? http://isabelafreitas.com.br

O dono do meu sorriso.


O dono do meu sorriso tem um poder especial de guardar meu coração na palma de sua mão. Ele é muito bom com palavras e as usa para o bem, principalmente para o meu bem. Ele odeia picles e filmes legendados. Não entende o minha devoção pela língua inglesa, mas aceita e respeita.

O dono do meu sorriso faz caridade duas vezes por semana e tem um apartamento na Espanha. Ele tem um carinho todo especial por crianças e sei que buscaria a Lua por seu sobrinho ou por sua irmã mais nova.

O dono do meu sorriso perdeu alguém que muito amou e eu tento ajudá-lo da melhor maneira a seguir em frente. Mas ele não tem só qualidades, o que o torna isento de perfeição e eventual chatice. Pra falar a verdade, ele não chega nem perto da perfeição esteriotipada. 

O dono do meu sorriso é ciumento demais e às vezes me tira do sério. É sociável em excesso e esbanja amiguinhas. "Teimosia" é seu segundo nome e "Cabeça dura", o terceiro. Ele tem uma capacidade inacreditável de atrair problemas e uma ainda incrível de livrar-se. 

O dono do meu sorriso vem de um lugar onde as pessoas sonham alto desde cedo. Mas ele tem plena consciência de que riscos existem e sabe por os pés no chão quando é preciso. O dono do meu sorriso (e do meu coração) está disposto a sonhar alto e a correr todos os riscos comigo. E eu estarei ao seu lado. Hoje e até o infinito.

Nas entrelinhas: Sardinhas.


Que bonitinho. Você tem pequenas sardinhas no nariz. Desse ângulo, com luz do sol que entra pela janela entreaberta, elas parecem menos tímidas. Como se só agora, estivessem prontas para mim. Ou talvez, ontem, eu estivesse ocupada demais para reparar. Ocupada me apaixonando perdidamente por você. Não que eu não fosse antes. Não que eu não fosse sempre. Mas é que agora, é diferente. Não foi alguma coisa específica que você disse. Também não foi alguma coisa que você fez. Foi um estalo. Não dos seus dedos. Um estalo dentro de mim. Depois de tento tempo duvidando, entendi. Não existem regras para o amor. Ele nunca acontece duas vezes do mesmo jeito. Então, quando finalmente parei de te encaixar no meu passado, compreendi que você combina mesmo é com meu presente. Tempo em que não por acaso, vivo atualmente. Ao seu lado.
Agora bateu um medo imenso de estragar tudo. Uma insegurança que não sinto há séculos. É como se eu fosse uma adolescente bobinha indo ao cinema dar o primeiro beijo. Por que diabos foi lembrar dessa dia? Sabe, fico pensando, existem tantas garotas tão melhores por aí. Tão mais, digamos, apropriadas. Porque você escolheria meu número na agenda? A minha janela para passar a madrugada jogando papo fora no facebook? O meu apartamento, para estacionar em frente e passar a noite? Me explica, meu bem, quais são suas reais intenções? Porque eu não tô de brincadeira. Você sabe. Não é meu estilo ficar com alguém só por ficar. Quando eu amo, enquanto eu amo, é de verdade.
São dez da manhã e você acabou de ir embora. A chave ainda faz barulho na porta. Seu cheiro está no meu travesseiro. Ou seria no meu corpo e cabelo? Coloco aquela música para tocar enquanto organizo a casa e danço feito louca na frente do espelho. Coisas pelo chão, pia lotada e televisão ligada na Globo. Está passando algum daqueles programas que minha vó ama. Droga. Bateu saudades dela agora. Sinto um nó na garganta ao perceber que faz tempo que ela se foi. Fecho a geladeira, pego pacote de Fandangos e coloco o notebook na mesa da sala. Minha tela inicial é uma foto do filme 500 dias com ela. Meu preferido de todos os tempos. Entro no site de busca e digito seu nome sem querer. Droga. Era para ser o nome daquele site para quem está buscando empregos. Escrevo uma listinha de telefones, faço algumas ligações e em menos de uma hora, estou entrando no metrô.
São dezenas de pessoas passando por mim. Apressadas. Como se estivessem atrasadas para alguma coisa muito importate. Talvez nem tão importante assim, pois estão vestindo umas roupas, digamos, estranhas. Ignoro o mundo ao meu redor e coloco o fone de ouvido. No automático, pego a direção, faço baldeação e finalmente, chego no meu destino. É um prédio enorme e espelhado. Logo me imaginei entrando ali todos os dias. Parecia uma boa ideia. O salário pagaria minhas contas e ainda me permitiria viajar para algum lugar incrível no final do ano. Tipo Londres. Com você. É isso.
No elevador com estranhos. Um silêncio que me incomoda. Posso ouvir a respiração de cada uma das pessoas que estão aqui. Um cara velho com cara de oitenta. Por que ainda trabalhando? Deveria estar no interior com seus netinhos e não no elevador ocupando meu espaço. Também tem um cara barbudo. Consigo ver uma tatuagem no pescoço, meio que fugindo do terno. Aquilo definitivamente não combine ele. Deve ser estar ali pela grana. Ou porque o pai obrigada. E se o velho for pai dele? Eu é que não quero entrar nessa confusão. Meu andar. Até nunca mais, desconhecidos.
O ar condicionado está me matando agora. Coloquei um vestidinho leve e uma sapatilha vermelha. Não sabia que o meu novo ambiente de trabalho fazia cosplay do polo norte. Queria que você estivesse aqui. Não só para me esquentar, mas para me dizer que vai ficar tudo bem. Que é só mais uma entrevista. Pensei em pegar o celular na bolsa para ouvir isso da sua boca e não só da minha imaginação. Mas nesse exato momento, ouvi meu nome ser dito por uma secretária com a voz rouca e um coque enorme no alto da cabeça.
- Sofia Fernandes Torres, sua vez!

Sobre a Autora: Bruna Vieira tem 19 anos, mora em São Paulo é escritora, colunista da Revista Capricho e blogueira. Nasceu no interior de Minas, formou-se como técnica em informática Industrial pelo CEFET-MG em 2011, mas o que gosta mesmo de fazer é transformar sentimentos em palavras. Veja mais em: http://depoisdosquinze.com

Nas Entrelinhas: Ataque de doçura


Quando os ossos começaram a latejar achei que era sinusite. Dai foi ficando mais forte a sensação de ter uma criança gorda sentada no meu tórax e comecei a pensar em infarto. Um pouco acima dos joelhos senti uma lerdeza extrema, precisei sentar. Talvez fosse virose. A fraqueza, para médicos angustiados em não explicar o susto da existência, é quase sempre uma doença que se pega no ar.Mas não demorou para eu entender que meu padecimento se chamava doçura. Eu estava tendo um ataque profundo e incontrolável de meiguice. Era uma síndrome nova que (não, nova não era, devo ter sofrido uma ou duas noites desse mal aos 12 anos) me assolava e eu não tinha ideia ou lembrança do que fazer com ela.Só deu tempo de tocar de leve o antebraço de Paulo e avisar "olha, vem aí uma avalanche mas...essa não sou eu e eu não tô entendendo nada". Paulo me abraçou e eu chorei baixinho por quase uma hora. Depois dormi vencida como uma criança suja de correria, tombo e sol. A tristeza esvaziada é a única felicidade real.No dia seguinte despertei absurdamente feminina: Paulo não havia desgrudado do meu corpo a noite inteira. Ele estava com a mão esquerda na minha cintura e a qualquer meio centímetro de deslocamento seus dedos ainda dormentes me resgatavam. Meu quarto estava quente, mas eu sentia uma brisa aliviando meus pensamentos, era uma espécie de proteção oxigenada. Um gostar possível que nem atordoava e nem era pouco. Só sei que achei tudo aquilo bem melhor que todo o resto.Lembro que usei saia e colori o rosto. Lembro que usei um brinco maior. Fiz um bolo de fubá com erva doce (mentira, mas pensei nele). Eu queria tanto ser mulher (talvez menina) que tive de me controlar, a cada dez minutos, pra não rodopiar cantarolando no centro de qualquer sala. Eu estava contentinha daquele jeito que só se fica quando um muxoxinho de amor é acolhido e aceito. Acho que Paulo estava feliz também. Os homens gostam de nos salvar de nossas invenções macabras mesmo que seja um porre conviver com elas.Na terapia falei sobre vitória. Eu, há tantos anos pugilista, dessa vez não tinha esmurrado o agressor. Nem mesmo o via como adversário num combate. A mágoa não invadia mais minha casa pelo ralo, vestida de ninja assassina. Eu a recebia pela porta da frente, com um chazinho. Ao invés de ironias cortantes para emascular, humilhar, diminuir e esfolar, eu tinha convidado, em silêncio, a grosseria de Paulo para me assistir entupida de amor.Cresci disfarçando minha condição de fêmea. Adernando minha pele, meus buracos e meus líquidos com chumbo pontiagudo. Pronta a expulsar qualquer dor com metralhadoras histéricas que, confusas em sua sexualidade, vociferavam másculas como pais protegendo um feto. Nunca um homem sobrou de pé depois de me decepcionar --ainda que a carne viva fosse, muitas vezes, uma loucura apenas minha.O mundo sempre me pareceu dividido entre florais submissas condescendentes e mulheres que compram apartamentos, chefiam equipes e opinam ao invés de sorrir. Sempre achei que aceitar um tapinha, ainda que verbal, seria enterrar viva a alma da mulher do século 21. E um blá-blá-blá chato pra cacete que, finalmente, me pareceu ser papo de baranga que não trepa.Mas dessa vez, nessa tarde, depois de tanto fugir em círculos da delicadeza, pude me vestir de algo que, na minha ignorância, chamei apenas de nudez. Chorei, dormi e permiti, sem nenhuma inteligência, que um homem ficasse.

Sobre a autora: Tati Bernardi, como é mais conhecida, nasceu em 1979 em São Paulo e formou-se em Propaganda e Marketing pela Universidade Mackenzie. Além da publicidade, Tati também dedica-se a literatura, já tendo quatro livros publicados, sendo os mais conhecidos: "A mulher que não prestava" e "Tô com vontade de alguma coisa que eu não sei o que é". Tati Bernardi consagrou-se com seu site, onde a maior parte do público são mulheres. Além disto, Tati também é colunista e cronista de revistas, como a Viagem & Turismo, blogueira e redatora da TV Globo. Além disto, fez cursos de pós-gradução na área de roteiro e cinema, e trabalhou muitos anos como redatora publicitária nas principais agências de propaganda de São Paulo, tais como W/Brasil, Talent, Leo Burnett e AgênciaClick.


Insônia


Eu ainda não fui capaz de te dizer adeus. E sei que a culpa é toda minha se hoje passo horas chorando no ouvido da minha melhor amiga. É culpa minha. Fui eu quem criou o maravilhoso mundo de Oz quando esse relacionamento não passava de uma verdadeira casa de Hades. Eu esperei de mais de um cara que sequer lembrava de alimentar o próprio gato. Quando foi que as coisas chegaram a esse ponto?

Por mais que me dissessem e me abrissem os olhos, eu não queria acreditar. Mas aí, como em um filme da sessão da tarde, eu acordei. Não completamente, você sabe como eu acordo. Abri os olhos, bocejei e, ainda meio tonta, fui entendendo o que os meus amigos tanto falavam. Você não era (e não é) pra mim. Passei meses servindo de peso pra equilibrar um namoro fadado ao fracasso e dizendo a mim mesma que tudo era uma questão de tempo. Quanto tempo? Sessenta, setenta anos, cinco filhos e quatro gatos depois? Não, querido, não comigo. 

Mas ainda tinha aquele time que dava um super apoio para que as coisas dessem certo (leia-se: a senhora sua mãe). O "time" me impedia de acordar. Quase uma força sobrenatural me puxando pra cama e dizendo: "Fica, se você não cuidar dele, ninguém vai". E eu voltava e dormia mais. Só que acordar no meio da noite virou algo tão frequente, que passei a ter insônia. E aí foi que a barraca desabou. 

As coisas (que nunca foram muito boas, sejamos sinceros) ficaram ainda piores, já que a minha leoa interior despertou e resolveu parar de se fazer de boazinha e princesa da paz. E é aí que entra a parte em que eu sou culpada. Eu poderia escolher entre duas opções: 1- Não esperar muito desse bregueço e ser mais pé no chão; ou 2- continuar acreditando em Oz. 

Como Oz não existe e eu fui realmente tosca de acreditar que você com essa maneira irritante de andar, falar e discordar de tudo que eu falo ou penso (além de ter diarreia bucal na maior parte do dia), acabei chorando horrores. Eu sei que pode soar bem hipócrita, já que eu pus um fim nisso tudo. Mas é inegável o papel importante que você e toda sua inutilidade tiveram na minha vida. Eu aprendi a desenvolver mais meu amor próprio, a não acreditar em canalhas e a acordar mais rápido. Muito obrigada. 

25 fotos que farão você acreditar no amor verdadeiro!

Amor verdadeiro. Não tem nada a ver com história de príncipe encantado ou essas coisas que nos contavam quando éramos crianças. O site Buzzfeed selecionou 25 fotos que provam que amor verdadeiro existe e que não tem absolutamente nada a ver com contos de fadas.

♥ O pedido de casamento surpresa de Daniel:


♥ Ahmad e Fatima, um jovem casal que, apesar de Ahmad não ter braços e Fatima não ter pernas, cuidam um do outro.


♥ Um homem ensinando sua namorada o alfabeto depois que ela perdeu a memória


♥ Os pais que tatuaram bombas de insulina para seu filho diabético não se sentir “diferente”.


♥ O momento em que o primeiro e mais legal casal gay registrou sua união em Washington.


♥ A foto do reencontro de um soldado e seu namorado. 


♥ Um rapaz pendurado da janela, dando um beijo de despedida em sua esposa em 1950.


♥ Um homem procurando um doador de rim para sua esposa.


♥  A rainha Elizabeth II e o príncipe Philip em seus 66 anos de casamento.


♥ Louis Armstrong tocando para sua esposa em Giza, 1961.


♥ A história do casal que continuou junto contra todas adversidades.


♥ Estas fotos de noivos vendo suas futuras esposas pela primeira vez


♥ Norman e Gordon Yeager, que morreram no hospital após 72 anos de casamento, com diferença de uma hora.


♥ Pedido de casamento surpresa na antiga escola do casal


♥  Phyllis Siegel, 76, e Connie Kopelov, 84, que se tornaram o primeiro casal gay a se casar em New York.


♥ Esta nota do pai do Nate:


"Nate,
 eu escutei sua conversa com Mike na noite passada sobre seus planos de se assumir gay. A única coisa que você precisa planejar é trazê-lo para jantarmos após a aula. Estamos assumindo, como você. Eu sei que você é gay desde que você tem seis anos. Eu amo você desde que você nasceu. 
- Papai
PS: Sua mãe e eu achamos que você e Mike são um casal bonito!"

♥ Todas essas fotos: 


♥ Este homem lembrando de sua falecida esposa:


♥ O casal que sobreviveu aos tempos de colégio.


♥ A nota desta garotinha para seu veterinário: 


"Bryant, obrigado por consertar minha cadela; eu a amo mesmo com três pernas"

♥ Este casal que deixou suas roupas de casamento juntas.


♥ A mulher cujo marido já faleceu, mas que ainda almoça com ele todos os dias. 


♥  Este homem que nada com seu cachorro para aliviar suas dores.


♥ Este casal, que está junto há 60 anos


♥ E, é claro, esta foto:


"Eu tenho estes nuggets. Agora tudo o que eu preciso é você.”


É amor pra ninguém botar defeito *-*


Beijo! :*


Nas entrelinhas: "O fim (do que não tinha fim)".



(01)

Por bem, decidiram então pelo fim. Depois de ininterruptos cinco anos. O primeiro foi de tremedeira nas pernas. No segundo, atingiram o nirvana sexual. Com o terceiro veio junto o apartamento. No quarto, desejo mútuo por terceiros. Finalmente, o quinto mostrou que haviam se tornado dois. Definitivamente, duas novas perspectivas de vida.

Ela não pediu que ele ficasse. Ele chorou porque sempre foi o pilar sentimental do casal, e só por isso. Ela ficou com o apartamento. Ele com o labrador, com nome de ex-craque do Internacional. A última coisa que ele fez foi catar seus discos da Legião Urbana. Ela deu uma última olhada em volta. Ele entregou a chave. Ela deixou escapar que nunca vai esquecê-lo, de alguma forma. Ambos relembraram o plano de provar pra todo mundo que dava para coabitar romanticamente. A porta se fechou dando fim ao que não tinha fim.

Ela decidiu rever tudo. Jurou que seria eternamente fiel à liberdade. Agora, madruga suas noites em discotecas, na companhia de estranhos e envolta em novos braços peludos. Aos sábados, dorme até meio dia para esquecer a antiga rotina de acordar cedo, fazer jogging no Parcão e almoçar os bifes maravilhosos da mãe dele. Não assiste mais novela, passou a usar mais vestido, começou a ouvir Bossa Nova e cogita tatuar o pé.

Ele planejou uma revolução. Decidiu conhecer alguém novo, ligou para uma garota de programa. Hoje, não fica um dia sem compartilhar o violão com velhos amigos no Bar dos Podres. Invariavelmente, passa os domingos de chuva na cama, na companhia do Falcão, uma garrafa de Merlot e A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Perdeu seis quilos no último mês, deixa roupas penduradas, trocou de emprego e cogita passar o feriadão em Ilha Bela. E suas vidas continuam, sob nova direção.

(02)

Outro mês se foi, e eles não tem notícias e nem previsão de reprise. Ele é grato a si mesmo pela implosão das grades. Ela sente um mundo de possibilidades inflando ao seu redor. Ele pede aos amigos que digam a ela que até está bem, levando, obrigado. Ela não oculta uma certa tristeza no olhar na frente deles. Ele espera que ela esteja feliz e bem acompanhada, com alguém decente, que tenha ao menos o carinho que ela merece. Ela torce secretamente para que tão cedo ele não encontre uma garota “melhor”.

Querendo ou não, ele pensa nela de quando em quando. Toda noite, se aproxima do velho apartamento com o labrador Falcão, e questiona as luzes apagadas já na tarde-noite. Fica imaginando se aquela dor crônica no pescoço curou, se tem comido beterraba e controlado direitinho a tireoide, conforme prometeu que faria. Agora, desconfia que as novas garotas da sua vida serão meros passatempos. Sente falta de ouvir aquela voz meio gasguita. Chega a pegar o telefone. Não telefona.

Bem ou mal, ela sente sua ausência. Toda noite, evita estar em casa lembrando que o espaço do apartamento triplicou por um milhão. Sente falta de camisetas espalhadas aleatoriamente. Fica lembrando ele cozinhando espaguete al pesto, ou quando ele sentava na janela dedilhando “Tears In Heaven”, ou assistia o colorado comportadinho, roendo as unhas sem parar, os pés no sofá. Hoje, coleciona casos com cafajestes fajutos. Sente falta dos sermões que levava por andar descalça no chão frio. Verifica o funcionamento do telefone: tu-tu-tu.

Presos pela liberdade, prosseguem cada um na sua, conectados por um fio invisível que não conduz mais eletricidade. Um fio de saudade dissonante e a certeza de que, amor como aquele deles, não acontece no tocar de uma varinha de condão.

(03)

Resistiram sóbrios e sozinhos toda data comemorativa que pudesse aflorar qualquer restinho de contrição pela separação. Natal, réveillon, Valentine’s nos States, dia nacional dos namorados, sei lá, Halloween também – podia ser uma data sem nada a comemorar. Aliás, não perdiam uma festa a caráter naqueles Halloweens idiotas. Ela sentia vergonha vestindo diabinha, ele debochava dizendo que combinava, até.

A ausência um do outro já não incomodava como água oxigenada no joelho de feridas abertas. Embora os dois soubessem que o buraco estava lá, num cantinho vazio do coração e no confiscado dilatar de pupilas de cada um. Mesmo após treze meses.

Ainda assim, ela guinou 150 graus na profissão. Formou-se nutricionista e abriu seu consultório com a ajuda do pai. Ele, que ia improvisar uma banda para tocar na festa, nem compareceu à colação de grau. Ele terminou seu processo de reconstrução da autoestima indo até São Paulo assistir ao Radiohead. Ela ficou sabendo. Ambos mudaram e fizeram coisas que nunca imaginaram que fariam – coisas de solteiro, até porque nunca se imaginaram solteiros. Porém, as raras notícias já nem doíam tanto.

(04)

Hoje, ele resolveu iniciar processo seletivo para um novo relacionamento. Sexta-feira sim, e outra também, prepara jantares informais com meninas aspirantes a namorada. Belas garotas em versões loira, morena, castanho-claro, e até de cabelo pintado numa cor que ele se esforça para discernir. Muito embora com personalidades pouco aprazíveis ou simplesmente inconciliáveis. Não consegue descobrir a tal coisa que o desagrada. Ela vem à memória.

Agora, ela sente vontade de encerrar o balancete afetivo interno. Não sabe exato por onde começar, decerto a ânsia de inaugurar algo novo na direção do amor. Começa abrindo uma geladeira semi-abundante e termina logo ali, folheando páginas de um jornal de ontem. Questiona se não percebe os sinais ou se sua luz anda refletindo sombras demais. Aberta a sugestões, recusa o convite de um homem aparentemente mais maduro e educado do que seu ex. Ele ainda é parâmetro.

Separados, cada um em sua casa, simultaneamente os dois compartilham a impressão de não ver tão cedo uma placa informando para que lado se encontra um recomeço afetivo. Enquanto isso, o mundo não para de girar, sem gosto de morango mordido.

(05)

A gente nota que respirar vale a pena quando surpresas que estavam à espreita se revelam em esquinas, ou acontecimentos responsáveis por uma breve disritmia cardíaca saltam aos olhos como o farol de um pesqueiro na escuridão do mar.

Dois anos desde o traumático término, toda rima romântica, até as mais clichês, voltam a fazer sentido. Contrastando com as mais inferiores minúcias de um velho amor que há pouco andava em círculos, e que agora percorre uma longa estrada em linha reta – dessas que transformam todo velho amor em recordações de sorriso breve e silencioso.

Ela passou quatro meses tentando escapar do rapaz que agora chama carinhosamente de “môr”. Um cara mais jovem, que luta pela lei. Compensa sua pouca habilidade em manusear sentimentos com um espírito engraçado e positivista. Não consegue mirar nada além de uma taça meio cheia. Ela sente-se feliz e incompleta como toda mulher beirando os trinta. Seus lábios voltaram a se abrir involutariamente. Mas não pensa em dividir tarefas domésticas novamente. Espelha-se em Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Ele se pegou matutando uma frase do Huxley dias atrás. Algo afirmando valer a pena enfrentar a tristeza para reconhecer a felicidade. Aplicou a teoria em sua nova gatinha que, diga-se, ainda não consegue chamar de “amor” ou coisa assim. Quando muito uma paixão. Arrebatadora, claro. Gamou nessa garota por acidente, como ele mesmo diz, em tom gracejador. Está pensando em casamento, mas acha que não devia. Se deita todas as noites com as mãos na nuca, com a intuição de estar bebendo o vinho da sua juventude. Seu braço arrepia toda vez que pensa na química sexual com a nova parceira.

(06)

Preciso contar a vocês que se viram, jantando em uma sexta-feira de céu estrelado na churrascaria Barranco. Ele e a namorada, ela e o namorado dela. Ambos chegaram a 200 mil batimentos por minuto ao trançar os olhos teimosos em olhar, mas nenhum dos dois lamentou, de alguma forma, estar sentado na mesa errada.

Ela ainda lembra dele quando alguém chupa seu dedão do pé. Ele se recorda dela toda vez que beberica um drinque com abacaxi e leite condensado. Os dois sabem que é perda de tempo tentar esquecer. Que sentir saudade não significa que melhoraram como pessoa, que agora magistralmente seus temperamentos são compatíveis e o correto seria viver aquilo tudo de novo, do êxtase à dor.

Significa apenas que foi bom, que foi inesquecível. E que qualquer amor que força as cordas vocais a produzirem um eu te amo não tem fim, mesmo acabando sempre do mesmo jeito, dividido por dois.

Sobre o autor: Gabito Nunes nasceu em 1982. Autor de outros quatro livros de crônicas e contos, entre eles A Manhã Seguinte Sempre Chega e Não Sou Mulher de Rosas. Originário da geração de blogs de criação literária, ganhou o prêmio Top Blog de literatura (júris popular e acadêmico) e atualmente escreve o folhetim online Juliete Nunca Mais. Leitor de John Fante, Jack Kerouac, Nick Hornby, Charles Bukowski, Woody Allen, J. D. Salinger, Milan Kundera, Caio Fernando Abreu e Marcelo Rubens Paiva. Ouvinte de Beatles, Bob Dylan, The Smiths, Beck e Radiohead. Escritor de prosa de ficção, Ao Norte de Mim Mesmo é seu primeiro romance. Gabito Nunes nasceu e mora em Porto Alegre/RS.

O que existe além do que já foi dito sobre o amor?


Ontem, rolando o feed do facebook, vi a atualização do blog do Daniel e como leitora, fui correndo ler. Foi lá que eu conheci um dos vídeos mais lindos da vida. Narrado e escrito pela atriz Carolina Ferraz e dirigido por  João Simi, Amarello Amor não é um vídeo novo (é do ano passado) mas eu nunca tinha visto e achei lindo. 

O vídeo fala do sentimento mais lindo e, na minha opinião, mais importante da vida. A pergunta chave nos faz refletir "O que existe além do que já foi dito sobre o amor?". Fala sério, tudo que lemos, escrevemos, assistimos sobre o amor é clichê. Clichê ou real? Repetitivo? E se é assim, se já sabemos como é, como  acontece, se já lemos tantas coisas sobre ele ou já vivemos tantas coisas dele, porque sempre procuramos o verdadeiro amor e queremos tentar de novo e de novo e de novo...? Essas foram algumas das milhares de dúvidas que vieram à minha cabeça ao ouvir Amarello Amor. Apaixonada ♥ 





"Não é doença nem obsessão. Alias não é nada, só amor. Amor dos bons, daqueles que são únicos e maravilhosos, que acontecem poucas vezes na vida das pessoas. Daqueles amores que ficam e que teremos que conviver com ele como algo concreto e parte de nossas vidas."

Nas entrelinhas: "É amor. Juro."


Eu te amo, mas não sei como falar, como explicar, como agir, sei lá. Você murmura qualquer coisa e eu já tremo o cu de tanto nervosismo que a tua presença me causa. Me leve daqui. Me leve com você. Venha comigo. Mas não tenho para onde ir. Por mim, a gente pode ficar aqui, quietinhos dividindo sorvetes, cervejas, edredons e sonhos. Tanto faz a cama e o colchão. Você se importa tanto assim com isso?

Dia desses, eu tentei te esquecer de vez. Juro. Mas ai percebi que matar você em mim é o mesmo que morrer e continuar vivendo, sabe? Passaria o resto dos meus dias como zumbi recheado de dor e entalado de lembranças do que nunca viveu. Então, não morra não. Não antes de eu dizer que te amo. Não antes de você dizer isso para mim, também. Ou que vai pensar no meu caso. Ou que vai me levar contigo. Ou que ficará aqui comigo. Sei lá. Não se vá – nem para o céu, nem para a Nova Guiné – sem me dar mais uns minutos de esperança, uns carinhos no queixo e um descanso em teu ombro.

Olha aqui, vai. Eu tô me embolando as palavras, eu sei. Não porque eu sou confuso. Ok, eu sou confuso. Mas nem sempre. Não agora. Tá, agora eu posso estar um cado confuso. Mas é porque amar é, ao mesmo tempo, ter um dicionário a falar e não saber como. É como se meu cérebro desaprendesse qualquer idioma tolo. E eu fico aqui, gesticulando vírgulas que exigem a tua presença um pouco mais.

Fica, vai! Nesta semana, você anda tão triste que me aperta a alma. E eu não sei se você sabe, mas se estivesse comigo, cê seria mais feliz. Juro. Deu na TV, nos jornais, no tarot, no horóscopo, nas músicas e nos livros que ando lendo. Você gosta de ler, eu sei. Comecei a gostar porque vi você no ônibus viajando mais rápido naquelas páginas do que aquele motorista ruim de roda que faz o veículo parecer uma montanha russa. Sim, eu estava naquele ônibus. Dois bancos atrás de você. Não, não estou te perseguindo. Mas a gente sai a mesma hora da faculdade e minha casa fica a dois quarteirões da sua. Não sei onde você mora. Mas é que você sempre desce no mesmo ponto e vai para a mesma portaria que imaginei que ali fosse a tua casa.

Eu estou falando feito um doido, sem vírgulas ou pausas, inventando assuntos quaisquer porque estou morrendo de medo do silêncio oceânico que pode surgir e você desviar teus olhos dos meus, reparar na vizinhança, naquele moço de gravata cinza ou na senhorinha dando comida aos pombos, e, talvez, você reparando no moço de gravata cinza e na senhorinha dando comida aos pombos possa pensar que já não há mais nada a fazer aqui e decida ir embora porque não gosta de cinza, nem de pombos, nem de mim. Sei lá.
Cê tá com fome? Eu tenho um par de lábios e um tanto de sonhos que podem te alimentar. Juro. Como faz aquele macarrão que você gosta? Eu posso aprender, também. Mas te amo. E amar, além de ser algo que me deixa mais confuso, nervoso e gago, deve ser aprender a ser o mestre dos desejos do outro. Assim, só para te agradar, saber? Isso é amor. Você sabe. Ou acho que sabe. Mas, de qualquer forma, gostaria que soubesse que eu te amo. É, amor. Sem aqueles coraçõeszinhos infantis da quarta série. Ou musiquinha bonitinha por aqui. É amor. Ponto.

Entendeu alguma coisa? Não? Ok, perfeito assim. Se você entendesse, eu ficaria triste por ter conseguido explicar algo sem explicação. E é isso: de onde eu vim, sentimentos são inexplicáveis, mas explicam todo o resto. Amor é um sem sentido sentir e dar sentido a tudo. E este tudo, agora, é você. Juro.

Sobre o autor: Hugo Rodrigues tem 25 anos, é escritor, carioca, autor do livro “Um Sorriso de Oito Graus na Escala Richter”. Para ler mais textos dele, acesse: https://www.facebook.com/fanpagehr

Nas entrelinhas: "O contrário do Amor"


O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Sobre a autora: Martha Medeiros, filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, tradicional de Porto Alegre, localizado nos arredores do bairro Moinhos de Vento. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão. Esta estada de nove meses no Chile, na qual passou escrevendo poesia, acabou sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.

Nas entrelinhas: Se isso não é amor, eu não sei o que é.


Sejamos adultos e vamos encarar os fatos: garotas sempre querem compromisso. Todas, pergunte aos hormônios. Algumas apenas não sabem disso ainda. Outras, pode ser que não hoje, esta tarde, mas num futuro concreto, sim, querem compromisso. Mesmo as que não admitem, querem compromisso. Pode ser que a intenção não se manifeste ao seu lado, mas certamente há um outro carinha na parada as deixando sonhadoras. Tudo bem, pouquíssimas não querem compromisso, no entanto topam numa boa serem desafiadas. Garotas não sabem ser solteiras aos domingos, e há domingos praticamente toda semana, coisa que as empurra para um relacionamento sério e duradouro.

Aí, sem mais nem menos, ela marca um encontro contigo em algum pub ou qualquer local público aberto após o expediente. É um bar perto de onde ela mora, não muito cheio, de modo que ela escolhe um lugarzinho afastado dos beberrões. Há quadros do Jimi Hendrix e Janis Joplin, e capas clássicas de vinil pregadas na parede, acho que pra decorar. Tem algo diferente nela, talvez a ausência do sorriso que você interpreta como o início de uma TPM, ou o cabelo está diferente, ou a maquiagem pouco enérgica. Ela esconde-se atrás do cardápio, da franja, da mão pequena atulhada de aneis. Até que finalmente consegue olhar pra você e bangue! Na maior caradura, dispara o que há de novo:

“Bem, eu não sei como dizer isso, senão direto ao ponto. Bem, o ponto é que chegamos a um ponto, eu pelo menos, que a gente acaba parando pra analisar o que a gente tem. O caso é que estamos saindo já faz um bom tempo e... O que está acontecendo? Tudo e nada. Tudo: nos damos super bem e nossas conversas sempre rolam legal e eu tenho um afeto enorme por você, além da parte física que, você sabe, é deliciosa e incomum. Nada: olha, acho que a gente acabou se metendo numa confusão sem tamanho e eu me sinto enfiando os pés pelas mãos. Não sei, talvez a gente deva pegar mais leve, esse lance todo tem me deixado assustada. Enfim, não sei exatamente o que quero dizer, talvez precise de um tempo pra pensar melhor nisso, um tempo pra mim, um tempo de nós. Por isso eu sumi ontem de manhã, acordei e me dei conta que já havia uma gaveta com coisas minhas na sua casa e isso me rendeu uma espécie de apneia diurna, fiquei refletindo sobre o significado disso tudo e, sei lá. Essa situação tá insustentável pra mim, ando cheia de coisas pra fazer e não sei por onde começar. Eu não queria me apaixonar agora, é isso. Acho que a gente não deveria levar tudo tão a sério.”

Sério digo eu: por que as garotas fazem esse tipo de coisa? Azul é azul, vermelho é vermelho. Por que a insistência em enxergar tudo em púrpura? Por que tantos rodeios e nebulosidades onde deveriam estar andando despreocupadas com os pezinhos descalços numa traçada linha reta e nítida? Qual a vantagem de ser uma adaptação para teatro de rua dos contos da Clarice Lispector? O que eu entendi disso tudo? “Blablablá, a gente não deveria levar tudo tão a sério”. O que vocês têm contra o amor correspondido? Você vai compreender meu argumento ao comparar essa tergiversação feminina com algumas coisas que ela me disse não faz muitos dias, na cama, suarentos e com camisetas e calcinhas e tênis All Star rolando pelo tapete.

“Você me faz sorrir.”

“Promete que não conta a ninguém? Certo, eu tinha este sonho seguidamente. Eu ficava esperando muito tempo, até que o ônibus finalmente chegava. Eu estendia a mão, ele parava, e quando eu levantava o olhar pra checar a lotação, eu via você. Quer dizer, um cara. Mais ninguém, só você. E eu sabia. Simplesmente sabia que era você, que era ele. Que era minha vez de subir, que tinha um assento reservado com meu nome. Mas eu ficava paralisada, com vergonha e sem saber como agir, sem saber onde pôr as mãos. No fundo, eu tinha medo de subir porque eu teria de tomar a iniciativa, chamar atenção, fazer alguma coisa que fosse. Era mil vezes mais confortável enquanto eu esperava, esperava, esperava. Aí o ônibus arrancava e você, esse cara, girava o pescoço e ficava olhando pra trás, uma carinha linda de cão abandonado, até sumir na esquina. E eu ficava lá, parada, com os pés encravados no chão, vendo minha chance passar. Aí eu acordava ensopada de suor e me achando a mais covarde do mundo.”

“Posso esfregar meu pé no teu? Tenho frio.”

“Você fala como se soubesse tudo o que eu quero. Você acha que sabe, não acha? Só que, no momento, aposto que nem se deu conta, tudo que eu quero é você.”

“Adorei passar um fim de semana inteiro contigo. No início eu tive medo, acho que estava projetando minhas limitações na sua pessoa. Mas você não era nada daquilo. Você é gentil e doce. E cada gesto seu me surpreende. Sei lá, acho que ninguém nunca fez nada de bom por mim a vida toda, nada parecido com o que você conseguiu em dois dias. Meio abrupto, reconheço. Você me faz viver fora da minha linha e é isso que eu gosto em você. Dá medo, mas é um medo gostoso de ter.”

“Sua boca é bem bonita.”

“Até conhecer você, não era difícil arriscar uma definição para o amor: 'é uma coisa que acontece com os outros'.”

“Porque amanhã de manhã, vou sair daqui para trabalhar e chegando lá, vou sentir saudade. Uma saudade forte, com a mesma intensidade da saudade que eu sentia de você antes de ter te conhecido. Só que diferente, uma saudade alegre. Sem aquela sensação de impossibilidade e desesperança.”

“Isso é amor?”

“Se sentir tesão, me acorda.”

Ela realmente falou essas coisas? Sim, ela realmente falou essas coisas. Eu estava lá quando tudo aconteceu, com a cabeça no mesmo travesseiro, circulando um mamilo com o indicador, fixado nos seus olhos de framboesa, que luziam enquanto os lábios úmidos diziam cada sílaba, cada frase. Me explica. Por que tanta prolixidade, por que tantos subterfúgios, por que tantos chavões do tipo “ah-preciso-de-um-tempo-pra-pensar”? Como exatamente pensar ajudaria nesse tipo de ocasião? Estamos falando de amor e não de como monopolizar a Brigadeiro Faria Lima no Banco Imobiliário.

Por que tanto auê por causa de uma gaveta? Tinha uma iguana dentro ou troço assim? E que bobagem é essa de “esse-lance-todo-tem-me-deixado-assustada”? Sou um cara bacana e não um zumbi foragido de “Tomb Raider”. Pombos em praça pública ficam assustados, não garotas diante do amor. Sim, amor. Ela mesma disse, somos ótimos juntos, temos tudo em comum e muitas histórias pra compartilhar, e o sexo, deus do céu, nem Anaïs Nin saberia descrever.

Se isso não é amor, eu não sei o que é. Venha com o peito aberto, estufado e cheio de coragem. Ou vá embora. Mas depois não vem me dizer que tem coração.

Sobre o autor: Gabito Nunes nasceu em 1982. Autor de outros quatro livros de crônicas e contos, entre eles A Manhã Seguinte Sempre Chega e Não Sou Mulher de Rosas. Originário da geração de blogs de criação literária, ganhou o prêmio Top Blog de literatura (júris popular e acadêmico) e atualmente escreve o folhetim online Juliete Nunca Mais. Leitor de John Fante, Jack Kerouac, Nick Hornby, Charles Bukowski, Woody Allen, J. D. Salinger, Milan Kundera, Caio Fernando Abreu e Marcelo Rubens Paiva. Ouvinte de Beatles, Bob Dylan, The Smiths, Beck e Radiohead. Escritor de prosa de ficção, Ao Norte de Mim Mesmo é seu primeiro romance. Gabito Nunes nasceu e mora em Porto Alegre/RS.

Nas entrelinhas: Um idiota para chamar de meu.


Eu quase que não vim. Mas toda vez é a mesma coisa e quando vejo já estou dentro do elevador, prestando atenção na luzinha vermelha trocando de andar. Depois eu fico me perguntando do porquê de vir, mas eu também faria o mesmo, me perguntaria, por que diabos eu não fui? Vou até a cozinha e ponho a chaleira no fogo. Deixei uma caixinha de Royal sabor hortelã por aqui e não estou achando em nenhum armário. Alguém tomou meu chá. Ele não toma chá. Pergunto quem esteve aqui tomando do meu chá e ele não responde. 

Ele não tem nada a dizer sobre isso. Pergunto como pode uma caixinha de chá evaporar e ele não diz nada. Só que estou exagerando. Já estou arrependida. “Depois eu te dou os cinco tostões do maldito chá, gata”, ele diz e eu o mando enfiar os trocados dele no próprio rabo. Não falo mais nada, não tem nada a ver com chá e ele sabe disso. É sobre as outras que vêm aqui. Ele acha que eu sou boba e não sinto o cheiro de vaca nos lençois.

“Então, você veio aqui pra comer e tomar chá ou o quê?”. Na língua dele, “ou o quê” quer dizer ir para o quarto. Digo a ele que não sou uma boneca inflável e ele me responde com um risinho irônico e sacana de “tá bom”. Algumas vezes me pego fantasiando que esse é o jeito dele de mostrar que gosta de mim. Rude, corrosivo, fulminante. Tenho pra mim que todas essas historinhas que ele administra muito bem não passam de uma fuga. No fundo ele precisa que uma garota de coração bom passe suas camisas e dê um jeito nessa cara de menino sujinho. Um dia ele se toca, e eu quero estar aqui pra ver. Por isso não perco uma de vir.

Ele me leva até o quarto pela mão, todo meloso e simpático e convincente. Eu sou maleável como a água e nunca consigo manter meu pé firme do chão. A cama, mais revirada do que eu, não me consola. Está fedendo a suor, cigarro, vinho choco, porra velha e perfume barato. Pra ele está tudo bem, talvez ele precise consultar um otorrinolaringologista, está na cara que ele está com algum problema de olfato. Ou é só caradura mesmo. A segunda hipótese não tem tratamento. Ele adora minha barriga, tem verdadeiro fascínio pelo meu umbigo. Ele vai descendo.

Terminou, ele se sente mais aliviado e feliz por ter gozado num lugar estranho, onde possa vangloriar aos amigos depois e comparar com os vídeos obscenos que eles acessam. Eu nem aproveitei nada, não porque não deu tempo, mas porque não parei de pensar na outra coisa. No chá, nas outras, no corte de cabelo que eu ia sugerir se ele me desse voz de namorada. Ele fica um tempo olhando para o teto, admirado. “Não sei até que ponto vale a pena me debruçar na sua cama, alisar seus cabelos e esperar você sair desse coma sentimental”, eu penso. Aí ele levanta no pulo, se apruma pra tomar uma ducha e nem me convida pra ir junto. Não estou me sentindo legal.

Não é uma questão de puritanismo, é mais uma questão de negociação. Eu adoro sexo, como adoro dinheiro, mas se eu fosse rica detestaria sentir as pessoas se aproximando de mim só por causa disso. Enquanto ele canta no chuveiro, eu fico contando nos dedos as vantagens que estou levando. Não consigo nada. Estou cheia de dedos. O idiota sai do banho colocando a camisa pra dentro das calças. Diz que tem uma formatura e esqueceu de me dizer. “Você achou o quê, que a gente ficaria o resto da noite agarradinhos como namorados? Achei que você estivesse de acordo que isso não é bem a nossa cara”. Isso. Me lambe, me prova, me abocanha. Me mastiga, regurgita e aí me cospe. E ainda tem coragem de arrotar na minha cara.

Aparentemente, é assim que se faz. Mentimos quando queremos muito uma coisa. Mentimos quando não queremos mais uma coisa. Mas tudo bem, a vida é minha, eu deixo ele fazer o que quiser com ela. E pensar que tudo que eu queria era te levar para um passeio, quem sabe um beijo pisando na lua. Mas será meio impossível, se você não aceitar. Ele diz que está atrasado sem escutar meus muxoxos. Cada um faz o seu preço, e o meu foi uma carona idiota de volta pra casa. É menos do que ganha uma puta. Ele economizou um bom dinheiro hoje.

Quando você fez tudo o que foi preciso e ainda assim não foi o bastante, é isso que eu chamo de impossível. Não adianta, é só teimosia, nosso amor só funciona na horizontal. Digo a ele que não preciso de carona merda nenhuma e vou andando até em casa. Eu preciso pensar. Na verdade, eu preciso não pensar. Tenho medo de descobrir coisas que não quero. E não dá outra, no trajeto eu me dou conta que eu sou sim uma garota inflável. Sempre quando eu acabo vindo, no dia seguinte eu me sinto flácida, murcha, vazia, embrulhada e guardada numa gaveta.

Sobre o autor: Gabito Nunes nasceu em 1982. Autor de outros quatro livros de crônicas e contos, entre eles A Manhã Seguinte Sempre Chega e Não Sou Mulher de Rosas. Originário da geração de blogs de criação literária, ganhou o prêmio Top Blog de literatura (júris popular e acadêmico) e atualmente escreve o folhetim online Juliete Nunca Mais. Leitor de John Fante, Jack Kerouac, Nick Hornby, Charles Bukowski, Woody Allen, J. D. Salinger, Milan Kundera, Caio Fernando Abreu e Marcelo Rubens Paiva. Ouvinte de Beatles, Bob Dylan, The Smiths, Beck e Radiohead. Escritor de prosa de ficção, Ao Norte de Mim Mesmo é seu primeiro romance. Gabito Nunes nasceu e mora em Porto Alegre/RS.

Nas entrelinhas: "Retrato falhado"


Procura-se vivo ou sentindo minha falta, alguém que muito amei. Alguém que se foi e eu nunca aceitei. Procura-se o fim. Procura-se e recompensa-se porque é dele - do fim - a culpa de cada letra de música, roteiro de filme, texto de teatro, script de novela, tema literário e do peso da saudade que eu carrego. O fim. O fim de semana para suportar a semana inteira no trabalho. O fim do semestre para suportar cada dia de aula. O fim da refeição para vir a sobremesa, para tolerar cada coisa que a gente não gosta, mas engole para ser saudável. O fim do ano para a garantida ilusão do fim do que não está bom e de mais uma dose do que está bem. E com o amor? O fim do amor para vir a saudade? O fim da saudade para vir o amor? Ou o fim da dor para ir a saudade e chegar outro amor? Enquanto tento responder eu penso que não é o fim que dói é a impossibilidade de voltar ao começo, de revisitar o meio, de poder reviver só por um dia aquilo que era vida e hoje se reduziu a lembrança. Lembrança é bom quando traz esperança, não saudade, pode anotar isso aí. Aproveita e anota também como era quem amei, desenha cada traço dele, faz um retrato falado e escreve que há recompensa. Eu recompenso fazendo feliz, sendo feliz, será que basta? Pode ser que não. Não, não venha me dizer que já é hora de esquecer, não tem relógio para o que a gente sente e eu nunca fui pontual. Desenhe aí o rosto da pessoa mais linda do mundo e escreva "te procura alguém que te amou sem motivo". Sem motivo, e quando é sem motivo a gente fica sem razão para deixar de gostar. O melhor motivo para amar alguém é simplesmente não saber o motivo ou não ter motivos para não amar. Poderia te explicar cada pedaço dele, cada detalhe do rosto, cada traço da boca, dos olhos, mas a verdade é que eu não sei mais como ele está. Pode ser que a pessoa que eu conheci e procuro seja completamente diferente da pessoa que hoje existe. Não vai dar certo pendurar um retrato falhado, procurando alguém que amei e não sei como achar, dando ilusão à saudade ao invés de pôr nela um fim. Faça, então, o seguinte, desenhe a mim, me reproduza nesta folha com exatidão. Vou colocar junto uma foto minha antiga para ele se lembrar de mim e, se ainda me amar, ter como me procurar e me encontrar. Vai ver é isso, ele já me procurou, já me encontrou, mas não sabia que era eu, faz tanto tempo... Faça esse desenho e disfarce em seu rabisco qualquer tristeza que eu carregue, senão quando ele me ver não vai me reconhecer, eu vou ficar tão feliz quando ele voltar que se me pôr como estou agora na figura, vai pensar que não sou eu. Promete que procura por mim e entrega a ele o meu retrato para se ele, um dia, resolver me procurar. Melhor assim, sem forçar, deixando livre. É que talvez, no fundo, eu nunca deixe de esperar, mas aceite ele não vir. E se não me procurar que venha logo o fim, o fim, sem fingir. Pois nem sempre que termina acaba, compreende? Mas venha o fim se quem amei não vier. A vida ensina que quando o amor termina é só para vir algo maior . Tudo tem fim, até o fim, por isso, assim, com o fim do fim a gente pode recomeçar e dar um jeito de tratar de ser feliz. Procura-se...

Sobre o autor: Ruleandson do Carmo comanda o blog "Eu só queria um café..."  com crônicas de amor, entrevistas sobre amor e comportamento, além da participação do leitor. Aos 27 anos, nasceu e vive em BH/MG, é jornalista, Mestre e Doutorando em Ciência da Informação pela UFMG, especialista em Criação e Produção para Mídia Eletrônica pelo UniBH. É ainda o personagem sem roteiro de uma comédia romântica sem fim e o vazio que une amores de cinema aos amores reais. 

Draw My Life - Eduardo e Mônica Versão 2013

  Eu tenho certeza que muitas de vocês já ouviram a música Eduardo e Mônica do Legião Urbana. E também já devem ter ouvido falar em Draw My Life, que numa tradução livre seria "Desenhando a Minha Vida". Pois bem, então que tal juntar as duas coisas em único vídeo?

  Disso se trata o vídeo "Draw My Life - Eduardo e Mônica Versão 2013"  de Gui Toledo e Bruno Felix com desenhos por  Luciano Andrade. A história é a seguinte...


Lindo né? E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? ♥

Raciocina Comigo: Sobre medo, ciúmes e (in)experiência.


  Eu confesso: Sou medrosa. Medrosa de carteirinha, daquelas que se caga até pra andar de montanha russa, mas anda. Há alguns meses, não passava perto de cachorro e barulhos estranhos me deixam arrepiada. Filmes de terror? Meus favoritos, mas me dão calafrios e me fazem perder o sono. Falar em público então...

  Eu sempre tive medo do amor também, e de todas as coisas que ele envolve. A ideia de me apegar tanto alguém sempre me foi muito injusta, porque segundo autores de livros que eu li, muitas vezes o amor não é correspondido. Daí o amado mal mal sabe que você existe. E você passa horas e horas olhando o perfil daquele ser humano. E sofre com cada foto que não é de vocês dois juntos, cada texto de amor que não é pra você... Em geral, amar é masoquismo. 

  Ciúmes. Eis um sentimento que eu nunca entendi. Tem haver com insegurança, um medo bobo de perder (até mesmo o que não é seu). Posse. Eu tenho ciúmes da minha mãe. E do minha gata. Tenho ciúmes da minha melhor amiga, e do namorado dela, o meu melhor amigo. Tenho ciúmes do meu computador, dos meus ídolos e das minhas fotos. Mas sentir ciúmes de um amor é completamente diferente. Ficar sem computador ou sem as minhas fotos seria ruim. Sem a minha mãe ou sem os meus melhores amigos seria... Inimaginável. Mas imagina o medo que é perder o seu amor verdadeiro. É clichê e bobo, eu sei, mas faz sentido, não faz?

  A verdade, é que a maioria das coisas que eu sei sobre o amor e sobre o que é amar eu li ou ouvi alguém dizer. Eu não sou experiente em amar, sabe? Amei de verdade umas poucas vezes, duas ou três, quem sabe. Ainda não cheguei na fase onde digo: "Isso não é pra mim" ou "Desisto dos homens!". Eu tenho amor próprio e um puto medo de quebrar a cara. Eu odeio errar, morro de medo de machucar ou acabar machucando quem gosta de mim, então quando as coisas começam a dar errado, eu pulo do barco. Pulo mesmo, com direito a salto mortal e tudo, porque eu ainda não descobri o que é pior: Morrer afogada ou morrer do coração. 

Nas entrelinhas: O homem mais bonito do mundo."


Uma vez eu conheci o homem mais bonito do mundo. Eu estava sentada no chão de uma festa com pocinhas. Toda festa de jornalista forma pocinhas, pode reparar. E ele veio falar comigo "vai molhar a calça". Ah, mas vou mesmo.Se tratava do homem mais bonito do mundo, eu não tinha nenhuma dúvida. Quem poderia ser mais bonito do que ele?Javier Bardem? Não. Basta vê-lo no filme da cólera pra saber o potencial que ele tem pra feiúra. O Brad Pitt? Eu prefiro os morenos. O Jesus Luz? Acho fraco, ele tem aquele lapso de vergonha suburbana no branco dos olhos. Não gosto de homem que se sente devendo algo ao cosmos. Homem que faz pose de topo de cadeia alimentar mas sofre as dores de uma coluna ainda arredondada pelo começo da evolução.Enfim, tratava-se do homem mais bonito do mundo. E ele veio falar comigo. E eu estava sentada no chão. E ali mesmo trocamos uns beijos e telefones e confissões e eu lembro que, apesar de estar com muito sono e cansaço e desesperança com a vida, fiquei tentando descobrir o que um homem daquele nível supremo de beleza (um metro e noventa, olhos azuis, cabelos castanhos cacheados, ombros que iam até o Chile) tinha visto numa garota bem mediana que estava sentada no chão em um dos dias de menor brilho de sua carreira social.Apliquei o teste do cotovelo durante o beijo (a leve roçadinha sem querer pra saber se o membro promete ou não promete). Apliquei o teste da sapiência média (você comenta que quando você olha pro abismo, o abismo olha pra você, e espera pra ver se ele tem alguma cultura de filosofia de almanaque). Apliquei o teste da bobeira erudita, uma merda qualquer que você lança no ar tipo "ai que vontade de chafurdar por essas lamas universais" e se o cara for minimamente interessante ele compra a besteira e devolve uma outra melhor ainda. Se ele for um tapado ele ri e fala algo idiota tipo "quero o mesmo que você está tomando" e daí você sabe que está, novamente, sozinho no mundo. Como sempre.E ele, do alto de sua absurda e dolorosa beleza, foi tirando nota sete e meio em todos os quesitos. Devolveu uma besteira à altura, conhecia frases pessimistas perfeitas para uma noite estrelada e passou com certo louvor no teste do cotovelo.No dia seguinte, já pela manhã, chegou uma mensagem de texto do homem mais bonito do mundo "quero te ver". E foi então que resolvi pedir ajuda. Juntei a mulherada em casa. E todas nós, em silêncio, começamos a "googla-lo". Até que uma foto bem grande, dele só de bermuda, sorrindo, ocupou a tela inteira e o coração de todas nós. Algumas suspiraram. Algumas tiveram ataque de riso nervoso. Uma ficou bem irritada e foi embora. Outras me olharam com a miopia bem apertada tentando descobrir que é que eu tinha pra merecer aquilo tudo. Ele era realmente o homem mais bonito do mundo. No dia seguinte, já pela manhã, chegou uma mensagem de texto do homem mais bonito do mundo "quero te ver". E foi então que resolvi pedir ajuda. Juntei a mulherada em casa. E todas nós, em silêncio, começamos a "googla-lo". Até que uma foto bem grande, dele só de bermuda, sorrindo, ocupou a tela inteira e o coração de todas nós. Algumas suspiraram. Algumas tiveram ataque de riso nervoso. Uma ficou bem irritada e foi embora. Outras me olharam com a miopia bem apertada tentando descobrir que é que eu tinha pra merecer aquilo tudo. Ele era realmente o homem mais bonito do mundo. Todas concordaram. Não existe homem mais bonito do que esse e talvez nunca existirá. E, ao que tudo indica, trabalhador, com amigos do bem, amante da natureza e das crianças. A ficha.com estava limpíssima.  Mas você viu se ele Vi, vi, sim, ele passou no teste do cotovelo. Burro? Não. Então o quê hein? Pois é, amigas tão honestas, eu também não sei o que ele viu em mim. Tentaram uma última explicação, olhando para os meus pés "ah, vai ver ele gosta de sexo bizarro". É, vai ver. Outra explicou assim "ah, tem tanto casal que a gente vê e não se conforma".Pois é.Fiquei quarenta e sete dias com o homem mais bonito do mundo. Todo mundo olhava pra ele. Homens, mulheres, velhinhos, crianças, cachorros, pombas, formigas. Ele poderia ter qualquer uma das anjinhas da Victoria's Secret (caso além de perfeito fosse trilhardário também...não era o caso, mas era bem de vida) mas preferia estar comigo.Ele definitivamente não tinha nenhum problema sexual, aliás, muito pelo contrário: fazia parte do seletíssimo grupo de homens que, apesar de não fazer feio em medidas, são adeptos do sexo minimalista (aquele que sabe o valor da delicadeza pontual, ritmada, paciente e amorosa), entendia os filmes do Reserva Cultural e me explicava as palavras mais difíceis das músicas do Radiohead. Tudo ia muito bem até que um dia, na fila pra comprar uma bomba de chocolate numa rua de Higienópolis, eu resolvi explodir aquela relação. Ele era tão bonito que me...que me...que...sei lá. Lembro que na hora pensei algo assim "ah, má vá ser bonito assim lá na puta que o pariu". E ele foi.

Sobre a autora: Tati Bernardi, como é mais conhecida, nasceu em 1979 em São Paulo e formou-se em Propaganda e Marketing pela Universidade Mackenzie. Além da publicidade, Tati também dedica-se a literatura, já tendo quatro livros publicados, sendo os mais conhecidos: "A mulher que não prestava" e "Tô com vontade de alguma coisa que eu não sei o que é". Tati Bernardi consagrou-se com seu site, onde a maior parte do público são mulheres. Além disto, Tati também é colunista e cronista de revistas, como a Viagem & Turismo, blogueira e redatora da TV Globo. Além disto, fez cursos de pós-gradução na área de roteiro e cinema, e trabalhou muitos anos como redatora publicitária nas principais agências de propaganda de São Paulo, tais como W/Brasil, Talent, Leo Burnett e AgênciaClick.

Música do dia: Seize the Day - Avenged Sevenfold

a7x

Eu vejo minha visão queimando. Eu sinto minhas memórias desaparecendo com o tempo. Mas eu sou tão jovem para me preocupar. (Uma melodia, uma memória, ou só uma fotografia). Aproveite o dia ou morra lamentando o tempo que você perdeu. Está vazio e frio sem você aqui, tantas pessoas estão sofrendo. [...]

Nas entrelinhas: "Amor e Perseguição"


“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas.”

Copiem. Decorem. Aprendam.

Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor nos bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas plateias dos teatros.

Ele certamente está por ali, você quase pode sentir seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade. Há quem acredite que amor é medicamento. Pelo contrário.

Se você está; deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproxima, e, caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a ideia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima.

Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que,antes de tudo, tratam bem de si mesmas.

O amor, ao contrário do que se pensa, não tem de vir antes de tudo. Antes de estabilizar a carreira profissional, antes de fazer amigos, de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir de seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir, sem máscara e sem fantasia.

É esta a condição. É pegar ou largar. Para quem acha que isso é chantagem, arrisco-me a sair em defesa do amor: Ser feliz é uma exigência razoável, e não é tarefa tão complicada.

Felizes são aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se auto-flagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes(ou princesas!!) encantados (as).

O amor é o prêmio para quem relaxa. As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas.

Sobre a autora: Martha Medeiros, filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, tradicional de Porto Alegre, localizado nos arredores do bairro Moinhos de Vento. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão. Esta estada de nove meses no Chile, na qual passou escrevendo poesia, acabou sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.

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