Nas entrelinhas: O Reencontro

No elijas a la persona mas bonita del mundo, elije a la persona que haga naa bonito tu mundo (:

Sei que não é o acaso que nos une, nem a coincidência que me colocou no teu caminho. Sei que existe um propósito maior para tudo isso que vivemos por aqui. Sei que quando tua mão encostou na minha foi como se eu tivesse retornado para um lugar querido. Sei que quando meus olhos enxergaram o brilho dos teus a minha boca disse um silencioso sim.

Aquela noite o mundo parou por alguns instantes, foi como um reencontro de almas, de corações, de vidas. Sei que muita gente torce o nariz para essa história de metade da laranja, amor eterno e tudo mais. Mas eu, com toda a certeza que tenho nas mãos e com toda a paz que carrego no coração, digo: eu acredito. Não, você não é a metade da minha laranja, pois laranja definitivamente não é a minha fruta preferida. Mas você é a metade da minha cereja. Sei que ela é pequena, frágil, delicada. Mas o amor nasce assim, desse jeito. O amor vai se tornando forte com o passar do tempo, das mini-revoluções, das quedas, dos arranhões, da rotina. O amor vai se tornando grande com o exercício da tolerância, da paciência, do entendimento, da aceitação. O amor só não pode se tornar rude. Ele deve, sim, proteger, ser firme, ser um escudo. Mas não pode perder a leveza, a delicadeza, o encantamento.

O amor precisa renascer diariamente. Pena que muita gente não tem tempo nem vontade para ajudá-lo. O mundo hoje em dia parece estar ocupado demais para essas coisas de amor. As pessoas, presas na bolha do egoísmo e do umbiguismo, não querem dar o braço a torcer, tampouco guardar o ego na estante. As pessoas querem ser eu, não querem ser nós. O máximo que fazem é unir o eu + você. Só não conseguem concluir a equação: eu + você = nós. E isso é uma pena.

Nesses (e em tantos outros) momentos é que percebo o quanto tenho sorte. Mas, você sabe, não acredito nisso. Então, reformulando a frase: nesses (e em tantos outros) momentos é que percebo como foi boa essa oportunidade que tive de te re(encontrar).

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

Nas entrelinhas: Uma nova forma de encarar.


Eu acredito tanto na força do pensamento. Acho que quando a gente pensa e sente o bem ele acaba voltando. Em dobro, triplo, infinito. Não dá pra ter pressa, mas dá para guardar aquela certeza no fundo do peito: as coisas boas acontecem, sim, para quem distribui o bem por aí.

Sei que nem sempre dá para sorrir para as pancadas que a vida dá, tampouco oferecer a outra face. Tem coisa que é difícil de engolir, tem ferida que arde, tem cicatriz que incomoda, tem machucado que custa a sarar, tem incomodação que tira a gente do sério. Mas tudo tem jeito, entende? Nada é definitivo, nada é um ponto final, nada é irreversível.

Penso que sempre dá para encontrar aquela luzinha que brilha lá no fim do túnel. É claro que muitas coisas não estão nas nossas mãos e dependemos dos outros para fazer acontecer outras tantas. E sei, sei mesmo que isso é uma grande chatice. Mas a solução não é entrar em desespero, não é derramar um riacho de lágrimas, não é ficar impaciente, não é dar corda para a insônia, não é fazer cabelos brancos e ruguinhas se proliferarem em você.

Tenho a péssima mania de querer que tudo se resolva num piscar de olhos e não é todo dia que é fácil. Certas coisas levam tempo, não são a jato, precisam de empenho, esforço, decisões. E a vida, meu amigo, é de quem batalha, não é de quem espera que uma graça aconteça todo santo dia.

Já desisti do que foge do meu alcance. Procuro dar o máximo de mim em cada situação, mas se o negócio emperrou, se a chave não gira, se a mula não anda, se vaca está indo para o brejo simplesmente deixe ela ir. Deixe. Largue de mão, pois às vezes a vida precisa mesmo virar do avesso. Não tente impedir que o mundo desabe. Deixe ele desabar, deixe os caquinhos se espatifarem no meio da sala de estar, deixe o gelo derreter, o bolo desandar, a canoa virar. E aprenda que muitas vezes o importante é se deixar desconstruir para depois fazer as coisas de outro jeito, mais fortes, melhores.

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

Nas entrelinhas: "Nem todo mundo é como você espera."



Se tem uma coisa que nunca vou entender é gente que só quer tirar vantagem em tudo. Eu sei que nem todo mundo pensa nos outros, mas é importante saber viver em sociedade. Você não precisa ser a Madre Teresa, só tem que entender que do lado de lá existe uma outra pessoa. E que essa pessoa, assim como você, tem sentimentos e sonhos. 

Pensa comigo: se você pensa no outro e o enxerga como um indivíduo com falhas e acertos (assim como você), provavelmente não vai querer passá-lo para trás, afinal, não fazemos com os outros o que não queremos que façam conosco. Certou ou errado? Certo, ninguém gosta de ser traído. Errado, nem todo mundo tem a humildade necessária para se colocar no lugar de outra pessoa.

Não é tão difícil. Antes de xingar alguém, pense se você gostaria de ser xingado. Antes de criticar alguém, pense em como dizer. Uma palavra mal dita (maldita!) estraga tudo. E muitas vezes o estrago vira mágoa. E essa mágoa não morre nem desaparece num passe de mágica. Algumas, inclusive, crescem e se reproduzem. Antes de usar alguém, pense se você gostaria de ser usado. Antes de falar mal do seu amigo, pense se você gostaria que ele falasse mal de você. 

Falta esse exercício simples de pensar em como você se sentiria se alguém fizesse uma coisa chata com você. Eu não entendo por qual motivo algumas pessoas acham tão difícil essa tarefa. Pra mim é simples: gosto de ser bem tratada, por isso trato bem as pessoas. Se alguém me faz algo, normalmente tenho duas alternativas: digo que não gostei ou apenas me recolho. Muitas vezes percebo que não vale a pena dizer que aquilo não foi bacana, pois nem sempre a pessoa está disposta e aberta a ouvir. Em outras ocasiões, falo e nem sempre o que foi dito é bem recebido. Não sei se me expresso mal ou se a outra pessoa não está a fim de compreender, o fato é que muitos mal entendidos acabam ficando como estão. Tem vezes que digo que determinada atitude não foi legal e não adianta, então deixo pra lá. Vale lembrar que alguns assuntos são delicados, então você pode não falar claramente, só dá a entender, mas nem sempre a pessoa compreende (ou se faz de desentendida), por isso o jeito é tocar a vida pra frente. Sem mágoa, mas com a certeza de que nem todo mundo é ou vai ser como você espera. 

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

Nas entrelinhas: "Confusões e confissões"



Algumas coisas me intrigam muito. Sou usuária das redes sociais, porém não sou dependente. Conheço muita gente viciadíssima. Eu uso – e muito – para divulgar meu trabalho e estar mais perto de quem gosta de me ler. Faz alguns dias que estou sem celular (mudança de operadora, precisa ter o raio de um código, etc.,etc., etc.) e estou vivendo lindamente, obrigada. Não tem nada melhor do que ficar incomunicável. Sem aquela obrigação e/ou curiosidade de checar emails de cinco em cinco segundos. Sem aquela paranoia de verificar Twitter e Facebook. Quem quiser me achar vai ligar para a minha casa. E quem tem o meu telefone de casa são só familiares e amigos chegados. Fora o telemarketing, of course.

Acho que as redes sociais invadiram a intimidade de todo mundo de uma forma bem assustadora. Até que ponto as pessoas estão vivendo suas vidas de fato? Até que ponto a carência aperta? Até que ponto a solidão grita e pede ajuda? Não sei. Vejo uma quantidade absurda de gente carente querendo um pouco de colo. Vejo quem dá indireta. Quem quer ser notado. Quem quer um elogio. Quem quer uma palavra de carinho. E, também, quem quer aparecer a todo custo. Tem gente que passa do limite e faz a exposição da figura de um jeito inadequado.

Não quero saber se você está doidão ou se sua calcinha é pequena demais. E também não quero detalhes da sua vida sexual. Tudo precisa ter limite. Você pode não ser uma vadia, mas se fala e age como uma, me desculpe, mas imagem é uma coisa que a gente constrói. Você pode até não ser um canalha, mas se fala um monte de babaquice é isso que pensarão de você. A gente deve cuidar com o que fala. Mas principalmente com o que fazemos com nós mesmos.

Na internet, ninguém te vê. As pessoas sabem de você pelo que você diz. Pelo que mostra. Tem gente que quer ser um personagem. Tudo bem, cada um sabe o que faz da sua vida. Mas é importante saber se respeitar. Porque na internet as pessoas te julgam o tempo todo (na vida real também, é ou não é?). Acho que não dá pra “cagar e andar”, afinal, ninguém vive sozinho. E é justamente isso que faz todo mundo tuitar loucamente: a solidão. A necessidade de dizer para o mundo coisas que suas paredes não ouvem.

Muitos deixam de viver a vida real pra viver a virtual. Se escondem, colocam suas carências, traumas e urgências em um buraco fundo. Tentam não enxergar a vida lá fora. Sei de casos de pessoas tímidas que na internet são incrivelmente diferentes. Sei de casos de gente com dificuldade de relacionamento, dificuldade de se aceitar. E ali no ponto com tudo é mais simples e rápido. Basta um enter.

Eu adoro tuitar na sala de espera. E, confesso, adoro fazer participação na novela. Explico: fico tuitando sobre a novela. Não é sempre, é só quando preciso me expressar. De vez em quando tenho essa necessidade de expressão tosca. Uso Facebook para falar com quem não vejo há tempos, para reencontrar pessoas, para falar com quem gosta dos meus livros e textos. É uma troca que enriquece. Através do Twitter, divulgo meus livros, minha linha de produtos, meus textos, meus projetos. E só. Ninguém sabe se me drogo, se transo, onde moro. Ninguém sabe do meu relacionamento. Ninguém sabe quem é meu amigo. As pessoas sabem apenas o que quero que saibam. E é assim que lido com minha vida virtual e real. Porque nem todo mundo é amigo, nem todos torcem por você, nem todos ficam felizes com sua felicidade e sentem compaixão pela sua infelicidade. Simple like that.

Se eu viajo para a casa da minha sogra ou dos meus pais, posso até tirar foto do mar, da serra ou de algum lugar bonito, como um parque ou restaurante. E só. Não entendo quem viaja para um lugar que nunca foi, para outro país, quem conhece outra cultura e fica postando fotos adoidado. Parece que essas pessoas querem viver para os outros. Querem mostrar olha-como-sou-feliz-olha-como-curto-a-vida. Curta a sua vida. Aproveite sua viagem. Viva cada segundo. Tire fotos, sim. Mas viva o momento. Poste as fotos na volta. Descanse, desligue da internet, do mundo. Essa é a minha opinião. Em breve, vou fazer uma viagem linda. E não vou levar celular. O máximo que farei é mandar email para pais e sogros chegamos-e-está-tudo-bem. O máximo que farei é mandar email para o hotel que minha cadelinha ficará para saber se ela está bem. Quando saio de férias eu gosto mesmo é de desligar de tudo.

Existem riscos virtuais. Vejo um povo dando telefone, endereço, informações que a gente não dá assim, pra qualquer um. Falta se preservar um pouco. Preservar a intimidade. Eu brinco dizendo o seguinte: não é porque posto foto da minha cadelinha ou porque digo que preparei um risoto de aspargos que você me conhece. Não. Sou mais do que uma foto, mais que um risoto, mais do que uma reclamação de loja, mais que meus livros, mais que meus textos, mais do que uma tela. Tenho carne, osso, coração. E isso ninguém vê, só quem convive comigo todos os dias. Só quem já olhou no meu olho.

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.



Nas entrelinhas: "Proteção, liberdade e outras coisas."


Talvez eu ande mais velha e mais chata. Não tolero mais coisas que tolerava antes. Hoje em dia conforto para mim é fundamental. Isso vale para tudo. Tenho que dormir em cama boa. E olha que já dormi em colchão de ar. Tenho que ter um banho bom. E olha que já tomei muito banho frio nessa vida. Tenho que beber vinho de qualidade. E olha que já bebi vinho barato no meio da rua. Tenho que sentir meus pés confortáveis. E olha que já usei muito scarpin de bico fino e salto 10cm. Hoje gosto de me sentir livre. De estar bem. E de não me sentir apertada dentro de mim. Não condeno quem gosta de acampar, gastar rios de dinheiro em roupas carésimas, tomar bebida de qualidade duvidosa. Cada um faz suas próprias escolhas e vive como quer. Só penso o seguinte: me deixa quietinha com minhas vontades. Se não temos o mesmo gosto podemos ser amigos. Só entenda que dessa linha para cá tem a minha vida e daquela linha para lá tem a sua. Acho que assim todo mundo fica bem. Inclusive, contribuímos para um futuro melhor. Respeito é palavra fundamental no meu dicionário (e no seu?). Acho que estou mais velha e mais chata, sim. Vejo pelas marquinhas que se mudaram para a minha testa. Pelas coisas que não mais suporto. Não gosto de lugar barulhento e apertado. Não gosto de assistir um show onde desconhecidos esbarram em mim. Não gosto que gente estranha me cutuque. Não gosto de rir feito uma hiena quando o papo é sério. Tem gente que não cresceu. Sempre achei que tem a hora de brincar e a hora de falar que nem adulto. Vejo que muitos levam a vida na gandaia. E tudo bem. Se você gosta de farra day after day, night after night tudo bem. Só não me incomode por gostar de ficar com minha casa, meus livros, meus vinhos, minhas letras. Não sou da noite: prefiro o dia. Não sou da pista de dança: prefiro minha cama e meus travesseiros fofos. Tem gente que ri de tudo, até de desgraça. Eu não consigo. Tenho meu lado criançola. Brinco, faço birra, faço manha. E tenho meu lado adulto, responsável, que encara quando tem que encarar, que não se esconde quando o bicho pega. Passei daquela fase da fofoquinha, em que o legal era se reunir em um boteco de quinta categoria para falar da paixonite da vez (e a gente bebe e chora e ri e bebe mais até fechar o boteco). E da roupa da Mariana. E da cor da unha da Claudiana. E da voz esganiçada da Franciscana. Acho que toda mulher passa por isso um dia. Um dia, eu disse. Não a vida inteira. Eu fazia isso quando tinha 18 anos, era uma retardada, não sabia direito o que era amizade e o que queria pra mim. Hoje eu sei. Hoje acho ridículo grupinho que se junta para falar de A, B ou C. Quem fala de todo mundo um dia fala de você. Pode apostar, é assim mesmo que funciona. E tem gente que faz disso o seu esporte. Não gosto, mas fico na minha. Minha mãe sempre mandou tomar cuidado com as pessoas que se fazem de boazinhas. Essas são as piores. Quem é filho da mãe escancarado nem oferece tanto perigo, afinal, a gente sabe com quem está lidando. O problema são aquelas pessoas que se fazem de legais e no fundo não valem dez centavos. Não gosto de gente que pisa em cima dos outros ou tenta se dar bem aprontando todas. Por isso, me recolho. Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

Nas entrelinhas: "O fundo do poço tem porão"




Muitas vezes a vida nos dá uma rasteira. A gente cai, machuca as costas, rala o cotovelo e esfola o joelho. E as lágrimas saem pretas, pois o rímel fica todo borrado. Nos sentimos num beco no qual a saída é inexistente. E, se existe, esqueceram de nos entregar um mapa com as coordenadas.

Quando algo dá errado, parece que todo o resto resolve dar errado também. Ao mesmo tempo. No mesmo momento. Naquele exato minuto. Oh, oh, o que está havendo? Sim, o fundo do poço tem porão. E subsolo. Se está acontecendo um problemão no trabalho, parece que o namorado resolve ficar chato, a mãe começa a cobrar a tua presença, os amigos parecem que estão sempre ocupados demais. Dá a sensação de que o mundo inteiro resolveu te apontar o dedo e dizer: nada dará certo. Vira tudo uma grande meleca. E ninguém quer nos explicar como sair dela.

Vocês terminaram o namoro. No dia seguinte, tu vai ao médico e, bingo, qual o nome dele? João. Tá andando na rua e escuta alguém gritando "Joãoooooo". Na fila do supermercado, João. João. João. Parece que todo mundo resolveu ter o mesmo nome do ex. Nossa, nunca vi tantos carros verde esmeralda, do mesmo modelo que o dele! De hora em hora toca a nossa música no rádio. Parece até conspiração, certo? Errado.

Tudo depende do nosso ponto de vista. Se olharmos com cara feia pra vida, ela vai nos retribuir da mesma forma. Vai nos dar o troco. Não existe conspiração internacional. João? Tem muitos. Carros verde esmeralda? Diversos. A música toca a todo instante? Sim. É que tu nunca tinha percebido isso...até ficar sem o João. Se o problemão no trabalho te afetou, com certeza vais ficar mais sensível...isso faz com que veja tudo sob outro prisma. Se achar que está tudo ruim, tudo ficará ruim mesmo.

Quando tudo está semi-perdido temos que buscar uma pontinha-aquela pontinha-de perseverança. As coisas mudam. Pra melhor. Basta querermos. Pra isso acontecer a gente tem que acreditar na gente. Always. Em primeiríssimo lugar. Para todo o sempre. Se nem a gente tem fé na gente, quem terá? Sim, é um papo otimista. Mas verdadeiro.

Grande parte das nossas frustrações acontecem quando a gente espera que o outro tenha as mesmas atitudes que nós teríamos em determinada situação. Mas o outro é somente o outro. Ninguém é igual a ninguém. E nunca será. E pra nos ajudar a sair do fundo do poço, porão ou subsolo...só a gente mesmo. O outro, por mais que te ame e queira teu bem, não pode fazer isso por ti. Nem que ele quisesse.


Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.


Nas entrelinhas: Aquelas coisas que ninguém nos conta.




Não importa a sua idade, o que você já viveu, se o seu nome está limpo na praça e quanto a balança da farmácia acusa toda vez que você sobe nela. Uma coisa é certa: toda mulher já idealizou um amor. Na verdade, acho que todo mundo já teve lá suas fantasias.
Homens e mulheres já pensaram nas qualidades que gostariam que suas mulheres e homens tivessem. Quero um cara que me entenda, que me ouça, que tenha alguma beleza, que use cintos decentes, que não ajeite a cueca no meio da rua, que saiba falar italiano e que goste de arte. Quero uma mulher que tenha bons peitos, saiba fazer sushi, goste de rock, curta um filminho pornô e saiba rir. Cada um idealiza de um jeito. Até que a realidade bate forte na nossa porta.
É claro que eu tinha sonhos e uma lista extensa. Queria que fosse moreno, tivesse olhos claros, fosse alto, tivesse braços fortes, soubesse cantar, me fizesse rir, gostasse de cachorro, soubesse cozinhar, fosse carinhoso, atencioso e me escutasse. Meu marido não é igual a essa lista, ou seja, ele não é o marido dos sonhos. É moreno, tem os olhos claros, tem a minha altura, tem braços fortes, não canta, mas toca violão e guitarra, me faz rir, passou a gostar mais de cachorro depois de me conhecer, não sabe cozinhar, mas prepara ótimos drinks, é carinhoso, atencioso e me escuta. De vez em quando. É que ele pertence ao gênero masculino, ou seja, não consegue prestar atenção em tudo que eu digo, pois falo rápido e mudo de assunto a todo instante. Apesar disso, sei que ele tenta me acompanhar. Além disso, ele é dono de um humor que chega a me assustar de tão bom. Juro que nunca vi pessoa mais bem humorada. Mas ele também é ranzinza, cheio de manias, meio mimado, gosta de tudo do jeito dele, rói as unhas e tem mais um monte de defeitos. É que ele é de carne e osso, é gente. E gente é assim, se é que você me entende.
Crescemos com uma ideia na cabeça. A vida inteira é assim, até que a gente se depara com o amor. E agora? E agora você abandona tudo que achou, tudo que sonhou e começa a sonhar junto. É muito mais legal, muito mais excitante, muito mais divertido, muito mais perigoso.
O amor não tem fórmula, mas eu acho que o amor tem que fazer rir, tem que ter graça. A graça tem que entrar na hora em que as coisas ficam mais pesadas, mais sérias, mais sem saída. É que nem sempre tudo é bom e caminha bem. O amor  de vez em quando anda na corda bamba. Ele tropeça, quase cai, mas fica em pé. Porque ele precisa ser trabalhado, não basta amar e pronto. O amor tem rotina, tem ronco, tem louça suja, tem conta que vence, tem tapete do banheiro molhado, tem tampa da privada levantada, tem bagunça no meio da sala, tem roupa pra lavar, tem cocô do cachorro pra juntar, tem ciúme, tem briga, tem sujeira, tem toalha molhada na cama, tem comida no forno, tem copo vazio na mesa de centro, tem discussão por besteira, tem calor, tem frio, tem sede, tem fome.
Amar não é nada fácil, apesar do amor ser simples. O amor é construção. E é justamente por isso que a gente deve esquecer tudo que aprendeu, tudo que imaginou e começar do zero. E recomeçar todo santo dia. Porque o amor é isso: um eterno recomeço.

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

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