Nas entrelinhas: A melhor coisa que eu nunca tive

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Você não foi aquele encontro marcado na Faria Lima que eu liguei pra dizer que iria me atrasar porque, bem, eu nunca precisei ir. Não foi o telefonema ca-ra-de-pau do sábado de noite, de última hora porque meus amigos desmarcaram a balada, pra chamar lá pra casa e dizer que tinha Netflix, Pepsi Twist e carinho, justificando o convite com o frio que eu ainda não sentia por não ter você. Você não foi.

Você não foi quem mudou a estação de música do carro durante a viagem pro Rio, justo na hora em que eu encostei os dedos no botão, senti o choque e ri com os nervos à flor da pele. Nem foi pra você que eu sorri logo em seguida numa estrada escura enquanto o sono batia como se dissesse “fica calma, eu tô aqui por você e vou te manter segura mesmo que eu fique exausto”. Não tive que te levar em casa às quartas (que seria o nosso dia) depois do jantar, e nem era por segurança, eu queria passar mais tempo com você mesmo. Também não tive que fingir azia e reclamar da gastrite quando era o começo do amor. Não precisei sentir.

Não foi você quem me pediu pra nunca te esquecer? No meio daquele cruzamento perto da Paulista, no meio de um café badalado embora fosse meia noite, quando eu não sabia mais se queria olhar pra sua cara. Foi pra você que eu não mandei as cartas, sim, eu escrevo algumas à mão e guardo, mas elas também não foram. Foi você que sorriu pra mim e disse que eu era fofo, mas fofo? Fofo é meu mundo, dizia você. Mas não disse, não pra mim.

Não precisei te contar sobre os meus amores passados e como aquilo doía. Como quebrar o coração de alguém é ter o seu quebrado pela metade. E não tive que te ouvir chorando num sábado chuvoso, me dizendo que o ex ainda balançava a tua vida. Eu só queria balançar na rede com você e dizer que iria ficar tudo bem. Eu não tive que abaixar a cabeça com receio e coração pesado por ouvir que alguém te habitava. Eu fui atrás e bati na tua porta. Mas não foi você.

Não foi pra você que eu disse que aquele meu medo bobo de ficar sozinho era precaução. Que eu só dizia que não tinha tempo, que era muito trabalho, que eu não conseguiria gostar de ninguém assim pra não confessar que, merda, eu já tava gostando. Já tinha caído, já tava encostando a cabeça no meio fio e confessando que era você. Era você que me via e não dizia nada, mas eu sentia. Sentia uma coisa bonita que há muito não palpitava, sentia uma vertigem diferente, daquelas que não doem, sabe? Sentia como se eu pudesse largar o terno e gravata pra te levar embora daqui e viver o sonho da casa, dois filhos, um cachorro e muito café. Labrador, por favor. Pra mostrar como o amor é grande.

Foi você até ontem. Quando eu cheguei primeiro, num incrível ato irônico de quem só chega atrasado. Foi você quando chegou perto e jogou o braço no meu ombro, sorriu pra mim. Foi você quando as suas amigas riram baixinho quando eu disse que iria sentir tua falta. Foi você quando eu finalmente me levantei pra ir embora e dei o abraço mais apertado do mundo. E mesmo não tendo sido, não tendo acontecido, mesmo que ontem você tenha fugido e me dito que iria embora de vez, eu ainda acredito que foi você. Por uns dias ou pra sempre. No meu mundo perfeito, tudo isso teria acontecido e você nunca, nunca, nunca teria ido, mas agora você vai e eu tenho a certeza de que você foi a melhor coisa que eu nunca tive.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: Ao amor da minha vida!

Alívio Imediato | via Tumblr

De verdade, meu bem, eu não acredito que você exista. Mas cheguei à conclusão de que, se não for por amor, que seja por você.
Que eu te encontre num dia ensolarado, nublado, chuvoso, com névoa e te diga alguma coisa. Que eu te reconheça no momento exato em que puser meus olhos em você. E que você saiba que houve um encontro ali. Que você esteja vestida de vermelho, amarelo, azul, verde, preto e branco. Que você me ache engraçadinho, pelo menos. Quem sabe tímido, quem sabe babaca demais, quem sabe charmoso, quem sabe eu nem te chame a atenção. Mas que você me veja com bons olhos e eles encontrem os meus. Que eu acerte a cor dos seus olhos numa brincadeira qualquer. E que aí você perceba o quanto eu te enxergo em tão pouco tempo. Que você seja amiga de algum amigo, ou a gerente do banco, ou a colega de faculdade, ou a menina bonita da balada, ou filha da amiga da minha mãe. Que você se encante comigo de alguma maneira. Que você se permita me conhecer melhor e saber que eu sou legal, ou que sou interessante, ou que não tenho nada a acrescentar a você, ou que eu sou um completo egoísta, ou que eu tenho um blog bacana que fala dessas coisas bonitas que as pessoas acreditam. Mas que você não seja um ponto final. Que seja as aspas, as reticências, o parágrafo, o travessão. Que você seja.
Que você saiba como eu sou complicado, ou que eu sou desajeitado, ou que eu sei dançar muito bem, ou que eu piso no seu pé porque não sei andar em linha reta, ou que eu detesto o cheiro de queijo ralado. Mas que você decida ficar e me conhecer mais, seja por curiosidade ou porque acha que pode se encontrar no meio da minha bagunça. Que a gente se conheça aos poucos, aos muitos, aos tantos, aos beijos, aos toques, aos olhares, aos filmes de fim de tarde, aos cheiros de perfume novo, aos dias de dormir de conchinha, aos minutos de ligações intermináveis.  Que você possa contar comigo, possa dormir comigo, possa brigar comigo. Que você não se arrependa naqueles momentos em que a gente questiona o amor, que você tenha orgulho de me mostrar pras suas amigas e que elas tenham inveja de você. Que eu possa te trazer café na cama, te dar um beijo de surpresa, te ver sem maquiagem, te morder até você ficar sem graça. Que eu não seja odiado pelos seus pais, que eles não me chamem de filho, que seu irmão torça pro mesmo time que eu. Que você me queira como pai dos seus filhos, que você se orgulhe de mim, que você esteja linda quando entrar na igreja.
Que eu possa te fazer sonhar. Que eu possa realizar os teus maiores sonhos e te consolar caso alguma coisa dê errado no meio do caminho. Que eu não saia nunca do seu lado, nem quando você pedir. Que os seus dias de TPM sejam lembrados com risadas e justifiquem aqueles quilos a mais que você ganhar com o brigadeiro. Que você chore bastante. Chore de rir, chore de saudades, chore de alegria. Que eu possa garantir que você não vai se machucar. Que o nosso filho tenha os seus olhos, a sua boca, o seu nariz. Que ele me lembre todos os dias de você. Que a gente caia um pouco na rotina e não mude por isso. Que a gente saia da rotina e se encante com algumas aventuras de vez em quando. Que a gente saiba reconhecer o valor da companhia do outro. Que eu te ame como nunca amei ninguém e que você me modifique da maneira que o seu amor quiser.
Mais importante que isso tudo: que você exista. E que não demore tanto pra chegar na minha vida.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: Ao amor da minha vida


De verdade, meu bem, eu não acredito que você exista. E se já comecei pensando assim, boa coisa não vai sair dessa minha carta. O fato é que eu ando meio desacreditado, achando que toda a minha vida amorosa e essas coisas que a gente pode englobar nela são todas umas fraudes. Eu sou uma fraude, pra ser exato. Escrevo sobre amor, faço os outros acreditarem e nem eu mesmo acredito numa única palavra que sai da minha boca. Mas hoje eu estava pensando e cheguei à conclusão de que, se não for por amor, que seja por você.

Que eu te encontre num dia ensolarado, nublado, chuvoso, com névoa e te diga alguma coisa. Que eu te reconheça no momento exato em que puser meus olhos em você. E que você saiba que houve um encontro ali. Que você esteja vestida de vermelho, amarelo, azul, verde, preto e branco. Que você me ache engraçadinho, pelo menos. Quem sabe tímido, quem sabe babaca demais, quem sabe charmoso, quem sabe eu nem te chame a atenção. Mas que você me veja com bons olhos e eles encontrem os meus. Que eu acerte a cor dos seus olhos numa brincadeira qualquer. E que aí você perceba o quanto eu te enxergo em tão pouco tempo. Que você seja amiga de algum amigo, ou a gerente do banco, ou a colega de faculdade, ou a menina bonita da balada, ou filha da amiga da minha mãe. Que você se encante comigo de alguma maneira. Que você se permita me conhecer melhor e saber que eu sou legal, ou que sou interessante, ou que não tenho nada a acrescentar a você, ou que eu sou um completo egoísta, ou que eu tenho um blog bacana que fala dessas coisas bonitas que as pessoas acreditam. Mas que você não seja um ponto final. Que seja as aspas, as reticências, o parágrafo, o travessão. Que você seja.

Que você saiba como eu sou complicado, ou que eu sou desajeitado, ou que eu sei dançar muito bem, ou que eu piso no seu pé porque não sei andar em linha reta, ou que eu detesto o cheiro de queijo ralado. Mas que você decida ficar e me conhecer mais, seja por curiosidade ou porque acha que pode se encontrar no meio da minha bagunça. Que a gente se conheça aos poucos, aos muitos, aos tantos, aos beijos, aos toques, aos olhares, aos filmes de fim de tarde, aos cheiros de perfume novo, aos dias de dormir de conchinha, aos minutos de ligações intermináveis.  Que você possa contar comigo, possa dormir comigo, possa brigar comigo. Que você não se arrependa naqueles momentos em que a gente questiona o amor, que você tenha orgulho de me mostrar pras suas amigas e que elas tenham inveja de você. Que eu possa te trazer café na cama, te dar um beijo de surpresa, te ver sem maquiagem, te morder até você ficar sem graça. Que eu não seja odiado pelos seus pais, que eles não me chamem de filho, que seu irmão torça pro mesmo time que eu. Que você me queira como pai dos seus filhos, que você se orgulhe de mim, que você esteja linda quando entrar na igreja.

Que eu possa te fazer sonhar. Que eu possa realizar os teus maiores sonhos e te consolar caso alguma coisa dê errado no meio do caminho. Que eu não saia nunca do seu lado, nem quando você pedir. Que os seus dias de TPM sejam lembrados com risadas e justifiquem aqueles quilos a mais que você ganhar com o brigadeiro. Que você chore bastante. Chore de rir, chore de saudades, chore de alegria. Que eu possa garantir que você não vai se machucar. Que o nosso filho tenha os seus olhos, a sua boca, o seu nariz. Que ele me lembre todos os dias de você. Que a gente caia um pouco na rotina e não mude por isso. Que a gente saia da rotina e se encante com algumas aventuras de vez em quando. Que a gente saiba reconhecer o valor da companhia do outro. Que eu te ame como nunca amei ninguém e que você me modifique da maneira que o seu amor quiser.

Mais importante que isso tudo: que você exista. E que não demore tanto pra chegar na minha vida.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia. 

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