Nas entrelinhas: Continue não me levando tão a sério assim!

adaptando

Você me perguntou porque eu havia parado de escrever sobre as coisas que sinto. Arregalei os olhos como se estivesse surpresa. Aquela era uma questão recorrente, de fato, mas eu não achei que estivesse tão óbvio assim. Dei de ombros e disse em outras palavras que a culpa era da sua falta de interesse. Quero dizer, textos como esse continuaram nascendo na minha mente durante todas as noites de insônia. Estou absolutamente familiarizada com as incógnitas que preenchem esses parágrafos, mas cansei do drama. Não quero mais impressionar ninguém. Nem o espelho.

Te culpo um pouco por ter roubado minha intensidade corriqueira. Mas são tantas fases e depois de você foram tantos chefões quase invencíveis. A tal da inocência a gente perde com a vida e as lições do cotidiano nos ensinam a preservar o tempo que sobra. Foi assim que me dei conta de que às vezes é mais fácil simplesmente deixar a dor na forma mais bruta. Sem críticos ou curiosos que opinam sobre as escolhas que fiz e a profundidade das cicatrizes que ficam.

Algumas coisas ainda me assustam e não sei se vai fazer sentido dizendo assim, mas elas é que me fazem lembrar de você. Será que ainda compartilhamos da mesma estranheza do mundo ou nos transformamos em velocidades tão diferentes ao ponto de nos estranharmos? Talvez eu nunca descubra.

Das vontades que tive, a única que sobreviveu ao tempo é a de dizer um monte de besteira sem ter certeza e não me importar com as consequências, como costumava ser nos intervalos das aulas de sociologia no caminho até a cantina. Você parecia me conhecer tão bem ao ponto de não me levar tão a sério o tempo todo. Ouvia minhas teorias e pedia bis. Nunca mais encontrei alguém que fizesse isso tão bem.

Sobre a Autora: Bruna Vieira tem 20 anos, mora em São Paulo é escritora, colunista da Revista Capricho e blogueira. Nasceu no interior de Minas, formou-se como técnica em informática Industrial pelo CEFET-MG em 2011, mas o que gosta mesmo de fazer é transformar sentimentos em palavras. Veja mais em: http://depoisdosquinze.com

Nas entrelinhas: Por que não eu?


Por mais evoluído que eu tente ser, rejeição ainda me machuca muito. Não tenho distinção quando se trata do assunto: me sinto ferido do amor platônico que nunca soube que existia algo ao telefone desligado na minha cara num sábado à noite. Faz com que eu me sinta mal comigo mesmo e admito que tem a ver com o tal problema amoroso, mas com o fato de atingir diretamente meu ego. Touché! É como se espetassem minha autoestima e jogassem lá pra baixo pra eu ficar cantando Leoni no sofá. Por que não eu?
Parei pra pensar um pouco em como ser rejeitado me afetava. Sabe quando você se sente um lixo esquecido na lixeira de um apartamento quando os donos viajam? A sensação é essa, de desamparado e dor, de pouco valor. Você começa a se achar feio, a culpar sua aparência, a questionar seu nível de intelectualidade e até quão interessante você é. O mais incrível é que talvez você nem quisesse tanto a pessoa assim, mas isso te abala.
Noutra semana dessas saí com alguém que queria muito conhecer. Papo bacana, estendemos, sexo incompatível e fim de papo. Nem uma palavra sequer depois do ocorrido. Nem um “não gostei de você, mas podemos ser amigos”, afinal de contas o assunto fluía e a gente conseguia falar sobre uma infinidade de mundos em um minuto. Mas por que eu me importava tanto assim se eu mesmo senti que não era quem eu queria? Por conta do descaso. E eu tenho ânsia de desfechos, aprendi que as reticências dão muita agonia já que nenhum dos três pontinhos encerra coisa alguma.
Pensando nos amores que tive, alguns até me deram bons desfechos. Mas não colava aquela ideia de que simplesmente não combinávamos. Não, quando a gente toma um pé na bunda, a gente quer realmente sentir o pé na bunda e saber a marca do sapato. Acho que é uma maneira que encontramos de justificar, pra fazer com que nos sintamos melhores conosco. Um tipo de “aquilo não tem a ver com o fato de eu gostar de séries e ser sedentário, é por conta de outra coisa”. Só que tem muita coisa que não tem justificativa e não oferece desfecho. Não bateu o santo, a pegada não agradou, o beijo enrolou. E talvez a gente sinta isso e nem queira muito, talvez nós mesmos colocássemos um ponto final na história mais tarde, mas a rejeição bota lenha na fogueira e faz a gente cismar de pés juntos que queria a tal pessoa.
Já me senti horrível porque preferiram algum amigo ou conhecido a mim. Já fiquei mal por dias por me achar um mala já que aquela resposta no celular nunca chegou. Cansei de tentar culpar algo em mim até entender que pessoas vêm e vão naturalmente e que sentimento ou empatia não acontecem por mérito nosso, mas são sentimentos que florescem. A nós cabe a missão de sermos nós mesmos, de alimentarmos nossas paixões ao nosso jeito e torcer pra que a pessoa se identifique, goste e fique. Também tenho tentado trabalhar melhor a mensagem de que não dependia de mim, de que fiz o máximo que podia e que não há nada que eu possa mudar pra conquistar alguém.
Elimino a culpa dos amores que eu não queria que acontecessem, convivo com o incômodo dos que não quiseram acontecer comigo. E é um trabalho árduo isso, confesso. No fim, por mais que eu tente, eu sempre acabo voltando à canção do Leoni e me oferecendo. A diferença é que a oferta é imaginária, e se dissipa bem mais rápido. Não atravessa a noite. Se não tem nada pra depois, também não vai ser eu.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: Entre o começo e o fim


Quando alguém me pede para me lembrar de você, não me lembro do nosso primeiro beijo. Do primeiro encontro, o primeiro abraço, o primeiro eu-te-amo. Não me lembro dos últimos também. Não me lembro da primeira vez em que você visitou a casa dos meus pais, todo sem graça, sem saber direito como agir com aquele que, na época, durante nossa adolescência, tinha poder pra te mandar pra bem longe. Nem lembro de quando você bateu a porta e me deixou em meio a tantos questionamentos: "que raios eu tinha feito de errado pra você deixar de me amar, assim, do nada?" (sem saber que, na verdade, a gente deixa de amar aos pouquinhos).

A primeira coisa que me vem à cabeça quando alguém fala seu nome não é nosso começo conturbado, nem nossos fins reticentes. É o nosso meio. É ali que eu te encontro. Naquele durante em que eu já te conhecia o suficiente para te amar como louca, mas sabia pouco da vida e, por isso, não tinha deixado de te amar ainda. 

Eu me lembro dos sorrisos que você me dava tarde da noite, na escuridão do quarto, antes da gente cair no sono no meio de uma semana qualquer. Eu me lembro das conversas sem sentido que a gente tinha depois de ver um filme com alguma reflexão filosófica no fim. E do quanto a gente sempre gostou de ler livros ao mesmo tempo para, depois, poder discutir o que cada um achou sobre ele. 

Eu me lembro de você na rotina, no dia a dia, de segunda-a-sexta, quando a vida não era tão feliz e fácil como nos finais de semana. Porque eu sempre achei que tinha um pouco de vitória nos casais que conseguiam se amar na normalidade da semana, na ausência de grandes novidades, no amor sem grandes declarações. 

Foi no meio que você me disse que eu era um pouquinho a sua salvação. "É por sua causa que eu vou passar nessa vida acreditando no amor. Porque tem coisa mais triste do que viver todos os dias e não acreditar nisso?". E eu nunca te disse de volta que você tinha me salvado também. Amar você, ainda que por tempo determinado, foi saber que o amor existe. O louco, o desenfreado, e o calmo e tranquilo. O amor que queima e o amor que apaga. Você me mostrou os dois.

Eu não sei te odiar pelo fim porque eu sempre lembro do entre. Entre o "eu te amo" e o "me esquece". Entre o "pra sempre" e o "nunca mais". Entre o "casa comigo?" e o "vou providenciar os papéis do divórcio". Entre o "eu cuido de você" e o "se cuida". Entre o "o único amor da minha vida" e o "foi só meu primeiro amor". É pelo o que existiu entre os nossos extremos que eu te amei tanto. E é também por ele que, de alguma forma que eu não sei como explicar, eu continuo amando: a lembrança do quanto a gente foi feliz.

Sobre a autora: Karine Rosa - Quase jornalista, quase 22 e quase gente grande. Um rascunho de escritora que fica por aí acreditando nas pessoas, nos sonhos e no lado bom das coisas. Daquelas pessoas - loucas - que acham que o amor resolve tudo. Tudo. http://www.karinerosa.com/

Nas entrelinhas: A melhor coisa que eu nunca tive

Best2

Você não foi aquele encontro marcado na Faria Lima que eu liguei pra dizer que iria me atrasar porque, bem, eu nunca precisei ir. Não foi o telefonema ca-ra-de-pau do sábado de noite, de última hora porque meus amigos desmarcaram a balada, pra chamar lá pra casa e dizer que tinha Netflix, Pepsi Twist e carinho, justificando o convite com o frio que eu ainda não sentia por não ter você. Você não foi.

Você não foi quem mudou a estação de música do carro durante a viagem pro Rio, justo na hora em que eu encostei os dedos no botão, senti o choque e ri com os nervos à flor da pele. Nem foi pra você que eu sorri logo em seguida numa estrada escura enquanto o sono batia como se dissesse “fica calma, eu tô aqui por você e vou te manter segura mesmo que eu fique exausto”. Não tive que te levar em casa às quartas (que seria o nosso dia) depois do jantar, e nem era por segurança, eu queria passar mais tempo com você mesmo. Também não tive que fingir azia e reclamar da gastrite quando era o começo do amor. Não precisei sentir.

Não foi você quem me pediu pra nunca te esquecer? No meio daquele cruzamento perto da Paulista, no meio de um café badalado embora fosse meia noite, quando eu não sabia mais se queria olhar pra sua cara. Foi pra você que eu não mandei as cartas, sim, eu escrevo algumas à mão e guardo, mas elas também não foram. Foi você que sorriu pra mim e disse que eu era fofo, mas fofo? Fofo é meu mundo, dizia você. Mas não disse, não pra mim.

Não precisei te contar sobre os meus amores passados e como aquilo doía. Como quebrar o coração de alguém é ter o seu quebrado pela metade. E não tive que te ouvir chorando num sábado chuvoso, me dizendo que o ex ainda balançava a tua vida. Eu só queria balançar na rede com você e dizer que iria ficar tudo bem. Eu não tive que abaixar a cabeça com receio e coração pesado por ouvir que alguém te habitava. Eu fui atrás e bati na tua porta. Mas não foi você.

Não foi pra você que eu disse que aquele meu medo bobo de ficar sozinho era precaução. Que eu só dizia que não tinha tempo, que era muito trabalho, que eu não conseguiria gostar de ninguém assim pra não confessar que, merda, eu já tava gostando. Já tinha caído, já tava encostando a cabeça no meio fio e confessando que era você. Era você que me via e não dizia nada, mas eu sentia. Sentia uma coisa bonita que há muito não palpitava, sentia uma vertigem diferente, daquelas que não doem, sabe? Sentia como se eu pudesse largar o terno e gravata pra te levar embora daqui e viver o sonho da casa, dois filhos, um cachorro e muito café. Labrador, por favor. Pra mostrar como o amor é grande.

Foi você até ontem. Quando eu cheguei primeiro, num incrível ato irônico de quem só chega atrasado. Foi você quando chegou perto e jogou o braço no meu ombro, sorriu pra mim. Foi você quando as suas amigas riram baixinho quando eu disse que iria sentir tua falta. Foi você quando eu finalmente me levantei pra ir embora e dei o abraço mais apertado do mundo. E mesmo não tendo sido, não tendo acontecido, mesmo que ontem você tenha fugido e me dito que iria embora de vez, eu ainda acredito que foi você. Por uns dias ou pra sempre. No meu mundo perfeito, tudo isso teria acontecido e você nunca, nunca, nunca teria ido, mas agora você vai e eu tenho a certeza de que você foi a melhor coisa que eu nunca tive.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: As coisas que só sinto com você

door

Hoje eu esperei você ligar, mas não foi igual aos outros dias. Não foi igual ao dia em que a gente marcou de ver aquela peça cafona da Zezé Polessa que tava passando no Shopping da Gávea, quando eu ouvi tua voz pela primeira vez. Não foi igual ao dia em que a gente combinou de ir pra praia da Reserva e eu esqueci os shorts em casa e você ligou pra dizer que também iria se atrasar. Não foi igual a nenhuma das outras vezes desses 437 dias que a gente tem se esbarrado.

Eu esperei na porta de casa porque tinha esquecido a chave, você me disse que não cruzaria a cidade pra me salvar, quando foi que isso mudou? De repente bateu uma coisa, um aperto no peito, uma angústia que podia ter sido provocada pela música que eu ouvia no iPod, dizem que o estresse até faz a gente imaginar as coisas, mas imaginar amor? Jamais. Eu olhei pro celular a cada notificação e nenhuma era tua. Chequei pra ver se você dava check-in no 4square ou no Facebook, pra ter algum vestígio de você. Eu tava ouvindo uma música que dizia que o amor nunca é como um sussurro e, sim, ele se dissipa. Tô vendo marcado no teu rosto, nas expressões, que ele se dissipou faz tempo. Uma pena que ele nunca vai embora ao mesmo tempo pros dois.

Hoje eu esperei você me dizer como foi o seu dia – porque eu acho deliciosa a forma como você se dedica a sua vida, como você transpira paixão até quando fala que tá cansando do trabalho novo, será que você fala assim sobre mim, será que eu também te inspiro paixão na ponta dos lábios ou você deixa pra me contar aos beijos? -, como foi o seu dia, meu bem?

A sua caixa postal não me respondeu.

Senti uma vontade tão grande de chorar, você não acreditaria se me visse falando com o chaveiro sobre o tempo, como eu queria chorar quando disfarçava dizendo que vai chover no fim de semana. Eu só pensava que você não vai estar aqui e que eu tenho uma festa de criança pra ir, e qual a graça das festas de criança se eu não me lambuzo contigo de algodão doce e volto correndo pra casa pra te alojar no meu peito? Chorei por dentro porque chove em mim sempre que seguro tudo e não desabafo, chove e ninguém vê, chove e só você achava bonito quando o meu sorriso era nublado.

Reparei que metade das coisas que eu aprendi a fazer nesses últimos tempos foram ensinadas por você. E não é que eu dependa de ti pra apreciar um jazz ou um blues em Santa Tereza, mas pra quê eu vou guardar duas taças de vinho se não tem você pra dividir? Eu tento explicar pras pessoas que tem coisas nessa vida que eu só sinto com você. Arrepio, angústia, um choro que fica aqui dentro, um sorriso tapado olhando pro chão, uma coceira do pescoço e rubor, que eu nunca deixo transparecer. Você vem e eu me moldo, me monto, me erro pra você ir corrigindo, sou sonso. Sou um menino descalço correndo na praia de Ipanema com uma pipa nas mãos e o pôr-do-sol de pano de fundo. Eu sou a Lapa inteira exaltando a boemia, você não tem ideia. Eu sou a Vista Chinesa e todos os beijos que já foram vistos por lá, e se eu fosse o Cristo Redentor, iria andar de braço fechado num abraço à tua volta.

Hoje eu esperei você me ligar e você não ligou. Então escrevi um pouco pra ver se eu entendo, se me explico e monto um passo-a-passo pra não precisar sentir contigo, pra sentir sozinho as coisas que só sinto com você.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: Ataque de doçura


Quando os ossos começaram a latejar achei que era sinusite. Dai foi ficando mais forte a sensação de ter uma criança gorda sentada no meu tórax e comecei a pensar em infarto. Um pouco acima dos joelhos senti uma lerdeza extrema, precisei sentar. Talvez fosse virose. A fraqueza, para médicos angustiados em não explicar o susto da existência, é quase sempre uma doença que se pega no ar.Mas não demorou para eu entender que meu padecimento se chamava doçura. Eu estava tendo um ataque profundo e incontrolável de meiguice. Era uma síndrome nova que (não, nova não era, devo ter sofrido uma ou duas noites desse mal aos 12 anos) me assolava e eu não tinha ideia ou lembrança do que fazer com ela.Só deu tempo de tocar de leve o antebraço de Paulo e avisar "olha, vem aí uma avalanche mas...essa não sou eu e eu não tô entendendo nada". Paulo me abraçou e eu chorei baixinho por quase uma hora. Depois dormi vencida como uma criança suja de correria, tombo e sol. A tristeza esvaziada é a única felicidade real.No dia seguinte despertei absurdamente feminina: Paulo não havia desgrudado do meu corpo a noite inteira. Ele estava com a mão esquerda na minha cintura e a qualquer meio centímetro de deslocamento seus dedos ainda dormentes me resgatavam. Meu quarto estava quente, mas eu sentia uma brisa aliviando meus pensamentos, era uma espécie de proteção oxigenada. Um gostar possível que nem atordoava e nem era pouco. Só sei que achei tudo aquilo bem melhor que todo o resto.Lembro que usei saia e colori o rosto. Lembro que usei um brinco maior. Fiz um bolo de fubá com erva doce (mentira, mas pensei nele). Eu queria tanto ser mulher (talvez menina) que tive de me controlar, a cada dez minutos, pra não rodopiar cantarolando no centro de qualquer sala. Eu estava contentinha daquele jeito que só se fica quando um muxoxinho de amor é acolhido e aceito. Acho que Paulo estava feliz também. Os homens gostam de nos salvar de nossas invenções macabras mesmo que seja um porre conviver com elas.Na terapia falei sobre vitória. Eu, há tantos anos pugilista, dessa vez não tinha esmurrado o agressor. Nem mesmo o via como adversário num combate. A mágoa não invadia mais minha casa pelo ralo, vestida de ninja assassina. Eu a recebia pela porta da frente, com um chazinho. Ao invés de ironias cortantes para emascular, humilhar, diminuir e esfolar, eu tinha convidado, em silêncio, a grosseria de Paulo para me assistir entupida de amor.Cresci disfarçando minha condição de fêmea. Adernando minha pele, meus buracos e meus líquidos com chumbo pontiagudo. Pronta a expulsar qualquer dor com metralhadoras histéricas que, confusas em sua sexualidade, vociferavam másculas como pais protegendo um feto. Nunca um homem sobrou de pé depois de me decepcionar --ainda que a carne viva fosse, muitas vezes, uma loucura apenas minha.O mundo sempre me pareceu dividido entre florais submissas condescendentes e mulheres que compram apartamentos, chefiam equipes e opinam ao invés de sorrir. Sempre achei que aceitar um tapinha, ainda que verbal, seria enterrar viva a alma da mulher do século 21. E um blá-blá-blá chato pra cacete que, finalmente, me pareceu ser papo de baranga que não trepa.Mas dessa vez, nessa tarde, depois de tanto fugir em círculos da delicadeza, pude me vestir de algo que, na minha ignorância, chamei apenas de nudez. Chorei, dormi e permiti, sem nenhuma inteligência, que um homem ficasse.

Sobre a autora: Tati Bernardi, como é mais conhecida, nasceu em 1979 em São Paulo e formou-se em Propaganda e Marketing pela Universidade Mackenzie. Além da publicidade, Tati também dedica-se a literatura, já tendo quatro livros publicados, sendo os mais conhecidos: "A mulher que não prestava" e "Tô com vontade de alguma coisa que eu não sei o que é". Tati Bernardi consagrou-se com seu site, onde a maior parte do público são mulheres. Além disto, Tati também é colunista e cronista de revistas, como a Viagem & Turismo, blogueira e redatora da TV Globo. Além disto, fez cursos de pós-gradução na área de roteiro e cinema, e trabalhou muitos anos como redatora publicitária nas principais agências de propaganda de São Paulo, tais como W/Brasil, Talent, Leo Burnett e AgênciaClick.

Nas entrelinhas: O outro lado dos relacionamentos


Para me agradar não é preciso um anel de diamantes, jantares caros, sapatos de grife, carro do ano, cobertura com vista para o mar ou viagens para o exterior uma vez por mês. Para me agradar não é necessário abrir a porta do carro, beijar a minha mão ou me enviar 200 rosas colombianas. Para me agradar não é necessário fazer declarações de amor em redes sociais, escrever poema romântico ou cantar uma música embaixo da minha janela. Para me agradar só é necessária uma coisa: me perceber.

Não sou tão difícil assim, já que costumo dizer de muitas formas o que me agrada e o que fica entalado na minha garganta. Já fui muito medrosa, estúpida, imatura. Já joguei, fiz drama, cena e barraco. Já bati porta, desliguei telefone, devolvi presentes e rasguei cartas. Mas eu cresci. E junto com essa nova mulher surgiu uma vontade imensa de ter uma relação madura, serena e tranquila.

Sei que nem sempre as relações são pura calmaria. Às vezes bate um vento forte que sacode a canoa. Mas a gente precisa ter equilíbrio e força para mantê-la na imensidão do oceano. Se relacionar é para os corajosos.

O dia-a-dia faz com que a gente acabe deixando de lado coisas que são tremendamente importantes em uma relação, como o cuidado e o carinho nas pequenas coisas e ações. O outro está, sim, ao seu lado para tudo. Mas ele não tem que suportar todo o seu lado ruim.

O filme "Separados pelo casamento" retrata de forma engraçada algumas situações vividas por um casal. A esposa pede que o marido lave a louça. Ele diz que já vai (e não lava nunca), ela se indigna e diz "eu só quero que você queira lavar a louça". Eles entram em uma discussão, afinal, ninguém é apaixonado por lavar louça, não é verdade? Mas alguém tem que fazer, além disso a casa não é só de um, é dos dois. Ela pede que ele compre limões para decorar a mesa de jantar e o marido esquece. E os tais limões eram importantes pra ela. A esposa reclama que o marido nunca a levou para assistir um espetáculo de ballet. Ele diz que nunca levou porque odeia ballet. E ela diz que só queria que ele quisesse levá-la, que quisesse fazer algo que a deixaria feliz. São essas pequenas coisas: saber que determinada coisa deixa o outro feliz ou torna a vida dele mais leve e fácil. Esse cuidado com o que o outro pensa, sente e quer.

Um dia já pensei que quem me ama tem que aceitar meu lado ótimo e meu lado péssimo. Mas a coisa não é bem assim. Se eu sei que tenho pontos a melhorar vou me empenhar para isso, afinal, eu mereço e o outro também merece o meu esforço. Se eu sei que determinado comportamento desagrada quem convive comigo, vou me esforçar para melhorar. Se o outro já deixou claro suas insatisfações, vou colocar a mão na consciência, analisar a situação com toda a clareza e sinceridade e vou procurar ser melhor para ele. É claro que a gente não deve ser o que esperam que sejamos. Por isso, falo da importância dessa autoanálise: isso realmente tem sentido? Posso realmente me melhorar? Se isso é muito importante para ele será que não é algo que nem me dou conta que faço? É primordial tentar se ver de fora, com outros olhos.


A gente tem a mania de achar que é perfeito ou que faz o possível. Mas tenho uma notícia pra dar para você: sempre podemos fazer mais. Sempre podemos nos esforçar mais. Isso não quer dizer que você não seja bom, só que você pode dar mais um ou dois passos. 

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

Nas entrelinhas: "É difícil escrever sobre o amor"


É difícil escrever sobre o amor porque parece que tudo sobre o amor já foi falado. E ainda mais sobre o desamor. E todas as dores, e todos os choros, e todas as brigas. Tudo já foi vivido. E falar sobre o amor é, aparentemente, uma eterna repetição. É falar do amor até quando o amor não existe. E o problema de escrever sobre algo até a exaustão é que todo mundo acaba um pouco cansado de ler sobre o amor. 

É difícil escrever sobre uma coisa que cansa.

É difícil escrever sobre o amor em tempos de guerra. Em tempos de Copa. Em tempos de eleição. Em tempos de posts enormes no facebook falando sobre qualquer coisa que, no fundo, eu não quero ler. Aliás, é difícil escrever sobre qualquer coisa em tempos em que as pessoas não sabem mais apenas ler algo, não gostar e seguir a vida. Elas precisam falar que não gostam e escrever respostas e fazer colunas e...aquilo tudo que dá tanta preguiça. Meu Deus, aonde eu estava com a cabeça quando eu resolvi gostar de escrever?

É difícil escrever e, mais, escrever sobre algo que eles dizem ser fútil. É difícil escrever sobre o amor porque sempre acham que falamos do nosso amor e, portanto, das nossas dores, das nossas traições, dos nossos chifres, das nossas lágrimas e dos nossos amantes. Sem entender que, na verdade, é tudo mesmo um pouco nosso, ainda que seja bem mais seu, ou dele, ou dela, ou de ninguém. Porque escrever sobre o amor é viver um pouco o amor que a gente nem viveu. 

É difícil escrever sobre o amor porque eu me questiono diariamente se eu posso dizer, sequer, que eu escrevo. Ou só se uno umas palavras e publico textos que nunca deveriam ser lidos. 

É difícil. E hoje eu queria falar sobre isso. 

Mas eu insisto.

Ainda que questionem. Ainda que achem fútil. 
Ainda que não entendam nada.
Ainda que achem sempre que é sobre mim.
Ainda que pensem que eu sou só mais uma babaquinha com dor de cotovelo que resolveu falar sobre seus chifres. 

Eu escrevo sobre o amor porque eu realmente acredito que o amor (em todas as suas formas) é o início de todas as soluções do mundo.

Eu escrevo sobre o amor porque eu realmente acredito que a gente só vai chegar a algum lugar quando aprender a amar o outro. E, por isso, aprender a se respeitar de verdade. 

Eu escrevo sobre o amor porque eu ainda tenho que acreditar em alguma coisa bonita no meio de uma imensidão de coisas feias.

E se eu sou uma babaca por acreditar em tudo isso: que seja.

Sou uma babaca. E eu escrevo sobre o amor.

Lidem com isso. 

Sobre a autora: Karine Rosa - Quase jornalista, quase 22 e quase gente grande. Um rascunho de escritora que fica por aí acreditando nas pessoas, nos sonhos e no lado bom das coisas. Daquelas pessoas - loucas - que acham que o amor resolve tudo. Tudo. http://www.karinerosa.com/

Nas entrelinhas: Depois de você

Via tumblr

Eu queria acreditar que você vai ser pra sempre, que vai ser como um daqueles meus bonequinhos bem cuidados que eu deixo no criado mudo pra me sentir segura, que vai me olhar de madrugada e dizer que as coisas vão ficar bem e que foi só um pesadelo. Quero acreditar tanto que me preocupo todos os dias com a possibilidade de jogar minhas pernas pro lado e não ter mais você. O espaço invadido me desacostumou e já não sei mais fazer cama e casa pra um só se não for pra pra nós dois.

Eu entendi o que é dormir mais tranquila, sem o pesar das pálpebras incomodando numa insônia regada a How I Met Your Mother e dois potes de iogurte desnatado – desculpa, o sorvete acabava rápido, então eu regava a solidão com algo mais light pra ver se diminuía o peso dela. Entendi o que é saber de cabeça um número de telefone que não é o seu e que serve tanto pra emergências quanto pra amenidades, porque você me escutaria mesmo se eu quisesse te falar em silêncio, não escutaria?

Você pega na minha mão e eu sinto uma firmeza diferente, uma promessa de que vai ficar por mim e me levar pra andar de bicicleta sem rodinhas segurando o meu banco. Eu sinto vontade de te amar de um jeito que eu só amei no jardim de infância, de um jeito que pede pra empurrar do balanço e te ver sorrindo lá no alto pra depois voltar voando pra mim. Depois de você eu aprendi a amar de um jeito bobo pra caramba. Sem o peso do mundo, sem vermelho na boca, sem sair por aí sendo Hilda ou furacão. Eu aprendi a comer sílabas e degustar palavras porque você me interrompia e me devorava e me fazia ser de um jeito que eu nunca imaginei que seria. Sua.

Eu congelo a queda livre e tento desacelerar pra não te deixar perceber as coisas. Essas coisas todas que a gente esconde pra não se mostrar demais, pra não deixar ninguém ver que o melhor lado é o lado de dentro e que eu me importo com tudo isso. Você me diz pra confiar em você e o problema é que confio, confio e confundo as coisas. Será que ele. Mas acho que é melhor. Talvez eu não devesse. E você me pede pra parar de pensar tanto assim e deixar um espaço na poltrona porque chega a tempo da novela. Porque hoje você compra chocolate pra gente. Porque sim, meu bem.

Te peço paciência e me leva contigo até onde der. Até onde a estrada for boa e você gostar da companhia. Até onde a gente puder rir um do outro e se abraçar no fim do dia sabendo que mesmo que as coisas mudem, a gente teve isso, que a gente ainda vai ter uma camiseta do outro guardado em algum lugar da casa só pra dizer que esqueceu e voltar pra buscar. Promete que mesmo que o tempo passe e a gente passe com ele, você vai ligar pra mim e pra minha mãe nos feriados pra fazer piada com ela. Pra ela continuar dizendo que você é o amor da minha vida agora.

Minha mãe me jura que existe alguma coisa ali. Mas bate tanto medo. E se, e se, e se, e se. E se você me olhar de verdade como ela conta que olha, como ela diz que ele te olha com tanto carinho que o afeto já virou teu cobertor invisível, te admira e sabe que tem a mulher mais incrível do mundo com ele porque ele te enxerga assim, te olha e não te atravessa, estaca os olhos nos teus e tenho certeza das coisas que ele diz porque o corpo todo dele diz. Já percebeu que ele treme e alarga os lábios involuntariamente quando te vê, minha filha? E eu reparo que dessa vez eu vou por mim e a gente vai amar por dois.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: "Amar vale muito mais a pena."


A única coisa que eu tenho certeza nessa vida, é que não tenho certeza de absolutamente nada. Levei muito tempo para descobrir que certezas são quase sempre frustrantes. Levamos uma vida inteira para provar ao mundo o quanto estamos certos e perdemos as melhores oportunidades no caminho. Juramos que somos capazes de fazer o amor desabrochar em um ambiente inóspito, quando na verdade, a gente é quem inventa possibilidades em meio a tantas improbabilidades. Sempre que me obrigo a gostar de algo por muito tempo, me frustro. Porque percebi cedo demais que, qualquer que seja o sentimento, para ser de verdade, é preciso que a gente solte as amarras e aceite que laço enfeita, não prende.

Decidi não esperar demais. O ser humano tem essa mania boba de se prender as esperas da vida. Sempre torci pela recompensa, paciência e compreensão, mas dessa vez, só dessa vez, resolvi aceitar o que me é dado. Não estou dizendo que vou prostituir meus sentimentos e entregar de bandeja meu coração, mas aceitarei o que acho que mereço sem esperar pelo "plus" por bom comportamento que nunca vem. Ninguém tem bola de cristal, entende? E aí eu vi que se quero alguma coisa, tenho que pedir. Se almejo muito algo, tenho que lutar por aquilo. A vida não é simplesmente esperar que tudo saia como o planejado. Não é sentar em uma poltrona confortável e achar que o mundo tem a obrigação de me servir. A vida não se trata de esperar. A vida não foi feita para preguiçosos.

O que eu sei é que perdi muito tempo dando valor às coisas erradas. Então, que fique aqui meu juramento de recomeço. Vou começar largando meu notebook e dando um abraço em minha mãe. Vou dar continuidade ligando pro meu namorado pra dizer que é um prazer imenso em tê-lo comigo. Vou correr pro quintal e beijar meu cachorro pra mostrar que, mesmo tão ausente, o amo como se fosse um filho. Vou desaprender essas coisas que o corre-corre dos dias impregnam em nossa alma. Vou esquecer essa urgência em ganhar a vida e ter uma necessidade absurda de sentimentos sinceros. Vou fazer questão de me lembrar, todos os dias, que o saldo da minha conta bancária não substitui uma tarde repleta de conversas e risos e lembranças.

Desprenda-se de tudo o que te rouba o riso. E lembre-se que você não precisa perder as melhores coisas da vida, para ganha-la. Aproveite as pessoas que estão ao seu redor, enquanto elas estão. Eu não tenho certeza de absolutamente nada em minha vida, mas quando não estiver mais aqui, saberei que a única coisa que ficou de verdade, foi meu amor por todas as pessoas que amei como se não houvesse amanhã. Porque ele é a única herança que perdura no tempo e não há, no mundo, substituição que o apague.

Sobre a autora: Raiane Ribeiro, 20 anos, publicitária em formação, ariana cabeça dura e totalmente extremista. Criou o lema "chora e não me liga" para o blog e acabou adotando para a vida. Escreve sobre relacionamentos no www.blogdaraiane.com e desfruta do seu tempo livre no @RaianeRibeiroo.

Nas entrelinhas: "Histórias de amor não duram manhãs inteiras.'

| LOVE

É a música dela tocando. Ela dita um ritmo que se perdeu. Quando foi que você se perdeu assim? Ela já não sabe mais. Deixou de tentar faz tempo. Não adianta tentar classificar essa história como uma história de amor. Ou uma história de abandono. Ou até uma história de quem assinou um contrato e largou o amor à revelia. Ela abandonou o barco, o bote, o porte e se deixou de lado.

Em meados de tempo algum você me disse que tinha a mais absoluta certeza do que queria. O seu trabalho era prioridade para os outros. Longe de você. Longe dela. Ela queria mesmo era mostrar todo esse amor no peito que ninguém consegue ver. Engraçado isso. Amor se torna angústia quando a gente guarda só pra gente. Bate aqui dentro, acelera os batimentos, não se deixa denunciar. Mas nós somos inquietos. E já que ela não podia fazer com que eu a amasse, ela tinha que se redimir com o mundo. Abraçou a causa do quarto escuro por alguns dias, lamentou-se numa revolta que não durou algumas lágrimas. Mulher geralmente tem esse dom de transformar paixão em dor e dor em sossego. Sufoca não ter com quem dividir. Por isso, eu digo que essa não é uma história de amor. É a história dela e a forma com que ela tragou o sufoco e engoliu a fumaça. E a conta do analista vai para qual dos lados?

Permita-me resenhar o que aconteceu com essa jovem, Doutor. Ela tinha medo das manhãs. As manhãs a obrigavam a admitir a si mesma que falhou miseravelmente nessa causa. Era flagrada a trair-se ao olhar para mim. Eu fiz de tudo. Mas não sabia como curar essa apatia dela pelo mundo. Ela gostava das noites porque toda sombra parecia um vulto. E assim ela sabia que tinha companhia para dormir. Você pode achar sombrio. Eu acho que tem muita esperança nos olhos e nos lábios dela, Doutor. Ela tentou comigo e só. Nunca foi expansiva, nem tímida demais. Ela tinha a dose certa de medo, angústia, alegria e esperança. Receita boa para quem quer contar alguma história um dia. Acho que você consegue acreditar em amores que não se realizaram, mas foram amores. Foi o caso dela. Que amou sozinha e me amou demais. E dominou as noites, perdeu algumas manhãs e chegou à conclusão de que guarda-chuvas furados não servem de nada.

Ainda existem marcas de dedos no piano da minha sala. Ou no piano velhinho da sala dela. Foram os últimos acordes de quem precisava expor. Ela precisou colocar para fora tudo isso para se dar conta de que o problema estava bem dentro dela. E haja interpretação de cena para que ela se visse em meio a um filme sem roteiro completo e sem protagonista. Ela era adepta da máquina de datilografar. Cada letra marcada em alto relevo num papel timbrado. Figura clássica, figura básica. E quando a chuva apertou e os pingos a molharam, ela desistiu. Não foi feita a gancho de história. É a história dela e não alguma outra história que você encontra por aí. E eu tenho a minha parcela de culpa por não conseguir correspondê-la. Mas é que vivemos em épocas diferentes e nossos amores não se cruzam porque guardamos aqui dentro e renunciamos a exposição.

Ela anda por aí. Em cada esboço que se faça sobre a sua história. Essa menina faz parte da sombra de muitas mulheres que rabiscaram alguma coisa para falar de amor. Tem um sabor agridoce nos lábios e os olhos continuam enxergando companhia em noites despretensiosas. O sorriso dela foi talhado a ferro e fogo. E acredito que não há analista ou borracha nesse mundo que a façam apagar o sorriso do rosto. Ela é uma mulher real. E, pra dizer a verdade, essa menina é o passado de toda mulher que um dia amou alguém.

Sobre o autor: Daniel Bovolento é um carioca, redator publicitário. Atualiza o Entre Todas as Coisas, escrevendo textos sobre amor, comportamento e cia.

Nas entrelinhas: O Reencontro

No elijas a la persona mas bonita del mundo, elije a la persona que haga naa bonito tu mundo (:

Sei que não é o acaso que nos une, nem a coincidência que me colocou no teu caminho. Sei que existe um propósito maior para tudo isso que vivemos por aqui. Sei que quando tua mão encostou na minha foi como se eu tivesse retornado para um lugar querido. Sei que quando meus olhos enxergaram o brilho dos teus a minha boca disse um silencioso sim.

Aquela noite o mundo parou por alguns instantes, foi como um reencontro de almas, de corações, de vidas. Sei que muita gente torce o nariz para essa história de metade da laranja, amor eterno e tudo mais. Mas eu, com toda a certeza que tenho nas mãos e com toda a paz que carrego no coração, digo: eu acredito. Não, você não é a metade da minha laranja, pois laranja definitivamente não é a minha fruta preferida. Mas você é a metade da minha cereja. Sei que ela é pequena, frágil, delicada. Mas o amor nasce assim, desse jeito. O amor vai se tornando forte com o passar do tempo, das mini-revoluções, das quedas, dos arranhões, da rotina. O amor vai se tornando grande com o exercício da tolerância, da paciência, do entendimento, da aceitação. O amor só não pode se tornar rude. Ele deve, sim, proteger, ser firme, ser um escudo. Mas não pode perder a leveza, a delicadeza, o encantamento.

O amor precisa renascer diariamente. Pena que muita gente não tem tempo nem vontade para ajudá-lo. O mundo hoje em dia parece estar ocupado demais para essas coisas de amor. As pessoas, presas na bolha do egoísmo e do umbiguismo, não querem dar o braço a torcer, tampouco guardar o ego na estante. As pessoas querem ser eu, não querem ser nós. O máximo que fazem é unir o eu + você. Só não conseguem concluir a equação: eu + você = nós. E isso é uma pena.

Nesses (e em tantos outros) momentos é que percebo o quanto tenho sorte. Mas, você sabe, não acredito nisso. Então, reformulando a frase: nesses (e em tantos outros) momentos é que percebo como foi boa essa oportunidade que tive de te re(encontrar).

Sobre a autora: Clarissa Corrêa é gaúcha, tem 3 livros publicados, redatora publicitária e escritora. Autora do livro de crônicas "Um Pouco do Resto", do livro de frases "O amor é poá" e do livro de crônicas "Para todos os amores errados". Possui um site desde 2005. Tem uma coluna no site da revista TPM. Faz os mais variados tipos de freelas. Escreve homenagens, cartas, textos, votos de casamento, agradecimentos, discursos. E também textos para sites e freelas de redação publicitária.

Editoras Parceiras

Galeria